quarta-feira, 10 de setembro de 2014

UHH PAPAI VOLTOU! Um novo Vasco ja nesse primeiro jogo de Joel

Apos a goleada sofrida para o Avai por 5 a 0 dentro de casa, o tecnico Adilson Batista, muito contestado pela torcida, entregou o cargo e deixou a equipe dias antes do segundo jogo contra o ABC pela Copa do Brasil. Sem tempo para treinar, Jorge Luiz, auxiliar e interino no momento, tentou montar a colcha de retalhos na qual o Vasco se encontrava e colocou um Vasco num jeito muito parecido com o de Adilson. Derrota por 2 a 1 consumada, eliminacao concretizada.

Quando teve a oportunidade de treinar a equipe e dar um pouco da sua cara, fez um time menos desorganizado na frente, porem com muitos problemas defensivos ainda. Vitoria por 3 a 2 com dois gols de bola parada em cima do America/MG e volta ao G4. Resultado que veio em otima hora, ja que esse seria o ultimo jogo com interino. Joel Santana, o velho Papai Joel, houvera sido anunciado no dia anterior para tentar salvar o time da situacao que estava.

Time contra o Mecao ainda pecava em concentrar muito o jogo no meio e usava pouco os laterais. Equipe acelerava pouco na frente e dependia muito de movimentacao (ainda fraca) dos homens de frente para gerar espacos. Problemas da era Adilson.

O novo treinador somente teve dois dias de treino, um com a equipe titular, e logo no treino da segunda-feira, ele escalou o time com Diogo Silva; Diego Renan, Rodrigo, Douglas Silva e Lorran; Guinazu, Fabricio, John Cley e Douglas; Maxi Rodriguez e Thalles. Uma escalacao que nao surpreendeu nem um pouco, comparado a seu historico como comandante de outras equipes. A predilecao por sistemas com 3 volantes sempre foi uma grande marca do Papai.

Lendo a listagem, o torcedor do Vasco se preocupou. Tanto havia reclamado do uso de Diogo Silva como titular e do sistema de tres volantes tao adotado por Adilson Batista, ele viu o fantasma voltando. So que como mal de todo brasileiro apaixonado por futebol, analisou a equipe pelos nomes e nao esperou nem o time entrar em campo para saber como iria se comportar, quais seriam as ordens, as ideias de Joel, o comportamento da equipe. O treineiro barrou o goleiro, colocando o menino da casa Jordi e mostrou que um dia foi o suficiente para mudar o jeito de atacar da equipe

Antes de avaliar o novo jeito de jogar, avaliemos as circunstancias da partida de estreia. O Vasco jogaria em casa, precisando de resultado para consolidar um bom inicio com o novo treinador, contra um Luverdense desfalcado de seus dois principais jogadores: Misael e Reinaldo. Sabendo disso, os visitantes entraram com um sistema que nao vinha usando normalmente: o 4-5-1. As equipes foram para a partida assim:

Vasco no 4-3-1-2 bem a la Joel e a Luverdense mais contida num 4-1-4-1 de linhas baixissimas

E nao sei se o mesmo torcedor reclamao se surpreendeu tanto quanto eu. Vimos uma equipe procurando jogo, acelerando mais a circulacao de bola na intermediaria adversaria e tornando mais objetivo a troca de passes. Como indiquei em laranja, os laterais eram quem dava a amplitude em todas as fases de ataque (Construcao, Armacao e Concretizacao), tendo suporte com o recuo de Guinazu (veja no espaco amarelo) e com a menos liberdade dada a Fabricio. Muito ofensivos, buscavam apoiar as jogadas sempre muito abertos seja la onde tivesse. Observemos esse frame:

Diego Renan e Lorran abrindo bem o campo no meio campo. Note Guinazu muito proximo na saida de bola, interagindo mais com a linha de zagueiros do que com a dupla de segundos volantes.

Quanto ao ritmo de jogo, foi a mais notavel mudanca feita por Joel. Embora o time ainda sofra com alguns lapsos de atencao quando em conforto, o time construia a saida com a qualidade que o time de Adilson tinha e ganhou o aditivo de ter um jogo mais acelerado na intermediaria avancada. A maior liberdade dada ao trio de frente, que pouco voltava para marcar, fazia com que eles poupassem mais energia para se movimentar e abrir espacos na frente. Ate o Douglas, notavelmente conhecido por ser muito estatico, se mexeu mais para buscar jogo e sair da zona central, onde foi inicialmente posicionado.

Falando em defesa, a equipe se defendia claramente com uma ultima linha de 4 proxima da linha de 3 no meio campo encaixando nos adversarios que as atacavam. Ja os tres homens de frente, como havia-se dito, tinham menos responsabilidades defensivas, com um deles voltando em algumas raras circunstancias para fechar opcoes de passe no meio. Observe:

Defesa claramente postada como falado no paragrafo, com Maxi auxiliando fechando a opcao de passe ao volante por dentro.

Primeiro tempo so deu Vasco. Time nao sofria ataques contra uma Luverdense muito recuada e dominava o campo adversario. Ainda sofria alguns problemas da era Adilson, com falta de objetividade na circulacao e pouca penetracao nas linhas adversarias. Mas apos o primeiro gol, engrenou e controlou a partida. Jordi nao fora testado nenhuma vez.

Pelo lado deles, com a lesao do lateral Michel, eles colocaram o volante Clecio e deslocaram Jean Patrick, improvisado, para a vaga do machucado. Otimo para o Vasco, que explorou e muito essa deficiencia do adversario e passou a investir mais por ali. No fim do primeiro tempo, o treinador vendo esse problema trocou o volante improvisado por outro, Gilson, que era lateral de origem. Apito, vestiario e jogo que parecia bem decidido.

Para o segundo tempo, o Luverdense colocou um atacante, Leo, tentando avancar um pouco as linhas da equipe, muito acuadas no primeiro tempo.  Foi ai que Joel usou da experiencia para instruir o ataque para fazer o correto. Mais velocidade na circulacao e exploracao dos buracos nas tentativas de subida do adversario. O famoso contra-ataque.

Tentativa de avancar linhas foi falha e so expos mais o Luverdense, agora posicionado num 4-4-2 linha. Washington buscava centralizar para tentar cair por tras da dupla de atacantes e armar o jogo, sem eficiencia, anulado pelo cao de guarda Guinazu

O ganho de velocidade nas transicoes foi muito grande. Era notavel o quanto trio de ataque ganhou instrucoes para atacar visando o gol nos momentos de desorganizacao defensiva do adversario, o que nao acontecia com Adilson. O segundo gol foi claro nesse ponto. Diego Renan buscou um Douglas com espaco para pensar, que em um toque sem dominar deixou Maxi em diagonal cara a cara com o gol. 2 a 0.

As poucas tentativas que o Luverdense fazia esbarravam na otima atuacao defensiva do trio de volantes vascainos. Bem posicionados num triangulo compacto, sabiam quando sair para combater, como cobrir essa saida desse componente e segurava um meio campo praticamente sozinhos, com pouquissimo apoio dos homens de frente ali. Guinazu estava notavelmente mais solto para cacar, caracteristica que o Papai gosta em seus medio-defensivos e fez partidaca de novo. Fabricio, mais preso, deu equilibrio ao meio campo que sofria nas transicoes adversarias em seus avancos.

Depois do gol, foram tentativas esporadicas de ataque, algumas ate com perigo, como um lance de Thalles no finalzinho apos um passe de cabeca de Edmilson. Ambos entraram no lugar de Maxi e Kleber, notavelmente cansados pelo ritmo que implantaram. Time mostrou confianca, ajudou a estreia do menino Jordi e deu uma tranquilizada no ambiente em Sao Januario. Precisa de ajustes, mas a evolucao ja foi notoria. A entrada de Pedro Ken no lugar do John Cley parece ser a cereja que falta para encaixar o bom meio montado pelo Papai Joel. E o novo treinador nos deu a esperanca de dias mais tranquilos rumo a Serie A. Rumo ao titulo!













sábado, 5 de julho de 2014

BELGICA - QUERIDINHA DA GERAÇAO PLAYSTATION OU REALIDADE?

Demorou, mas enfim a Belgica fez uma atuação convicente na Copa do Mundo. O time sensação das eliminatórias europeias pegou um Estados Unidos muito bem arrumado por Jurgen Klinsmann e fez o crime: jogou a bola que se esperava dela, com alto volume de jogo, mesmo esbarrando na noite inspirada de Howard. Inicialmente, vieram montados assim:


Avaliando simplesmente as escalações iniciais, já esperaríamos um Estados Unidos mais retraído em busca de contrataques na velocidade de seu trio de frente e uma Belgica partindo para cima propondo jogo e explorando a qualidade de seus homens de frente. Não deu outra. 

HeatMap da Belgica: Footstats.com

Observem como o mapa de calor acima deixa bem claro isso. Uso mais agudo do lado esquerdo, por onde caíam De Bruyne (em boa noite), Hazard e os apoios de Vertonghen. Tanto como Johnson como Yedlin sofreram para combater naquele lado. Muitas vezes fazia-se 3x2 por ali, não a toa sendo a região de maior índice de finalizações, como podemos ver no quadro abaixo, no circulo marcado e no gol, ainda mais abaixo. 


Lance que caracteriza muito bem a movimentação belga ofensiva pelo lado esquerdo. Hazard abriu, atraiu lateral, abriu espaço para a subida de Vertonghen e De Bruyne passou no espaço. Origi aproxima do lado da bola para entrar no primeiro pau e abrir suas costas para que Fellaini ataque esse espaço. O ponta oposto (Mertens) fecha pelo meio para garantir número.

Contra a Argentina a chance de se consagrar como realidade. Explorar os lados, ponto fraco argentino é a mina de ouro pra que o jogo belga flua. Marcar Messi de perto, nao dando espaço nas faixas centrais tambem é importante. Dupla de zaga + Witsel serão de extrema importancia para anula-lo. Tem jogoo!






sexta-feira, 27 de junho de 2014

COMO GANHAR DO CHILE - Manual para o Felipão - parte III

Nessa parte 3, mostrarei como montaria o time do Brasil diante a previsão que espero para a seleção chilena.

"MEU" BRASIL


Após a análise individual de cada jogador, nada mais justo de que traçar ideias de jogo coletivas para eles, já que uma equipe não se encaixa se não tiver táticas que relacionem os seus jogadores. Para que possamos fazer isso, temos que ver quais são os pontos fortes e fracos de cada equipe. Começarei pela nossa:

MODELO DE JOGO BRASILEIRO

Dizem que o entrosamento leva a melhora de uma equipe, e no caso do Brasil isso é bem evidenciado. Já estamos a praticamente 1 ano com a mesma escalação inicial, o que infere em jogadores já conseguirem entender o raciocínio do outro e a ideia do treinador. Começarei analisando o jeito de defender da seleção:

1) MODO DE DEFESA:

a) Na saída de bola do adversário:


Nesse desenho acima, fica mais facil de representar o modo que a seleção gosta de marcar a saída de bola adversária. Quando a bola atinge a intermediária defensiva adversária, os jogadores de frente sobem seu posicionamento e obedecem a regra dos encaixes. Seja lá por onde o adversário esteja saindo, o objetivo é pressionar o portador da bola e, em forma de encaixe individual, cerrar a marcação nos mais próximos, sem se preocupar com guardar posição. Se o jogador adversário se desprende, o jogador encaixado NA DETERMINADA JOGADA vai junto. Esse padrão de comportamento é feito normalmente pelos jogadores de frente, já que a linha defensiva obedece rigorosamente os preceitos de flutuação de uma linha de 4.

Contra Camarões, a equipe conseguiu fazer gols exatamente assim, roubando a bola na intermediária e atacando rápido, vide segundo gol de Neymar e gol de Fernandinho.

b) Quando o adversário passa da pressão:

Nesse momento que o adversário passa da pressão inicial brasileira, os jogadores de frente voltam muito rápido para se fechar em duas linhas, deixando Neymar e Fred a frente; Oscar fecha a esquerda, da seguinte maneira abaixo:

Felipão da liberdade para Neymar se juntar a Fred na frente, preservando o craque e sacrificando Oscar, que fecha o seu teórico lado esquerdo.  Em verde, a representação da rápida recomposição pós superação da pressão e a formação de duas linhas.

2) MODO DE ATAQUE:

a) O ataque rápido: Esse tipo de ataque consiste em roubada de bola e chegada ao gol em poucos toques ou então toques rápidos, como podemos ver no gol de Fernandinho contra Camarões.  Oscar roubou bola, entregou em Fernandinho, que deu no pivô de Fred, devolveu em Oscar, Fernandinho, gol. Tudo isso numa trama de 4 segundos. Brasil gosta desse tipo de jogo, já que assim sufoca o adversário, complica a vida dele e faz gol sem precisar trabalhar muito a bola. Quando tem que se situar no campo adversário, se complica. Brasil se sente bem mais confortável trabalhando em transições.

b) O ataque direto: Como já havia postado anteriormente, uma das jogadas mais comuns é a diagonal longa dos zagueiros ao ponta oposto, buscando as costas do lateral adversário. Isso será de extrema importância contra um Chile de defesa de estatura baixa e que joga avançada. Portanto, não achem que o Brasil está dando chutão por falta de qualidade. É estrategia de jogo!

Fonte: Painel Tático do GE

c) O ataque organizado: Brasil, quando é forçado a entrar nessa fase, se complica. Quando precisa trabalhar a bola demais, relaxa, fica estagnado e erra muitos passes. Definitivamente um time de transições, basta ver como foram os gols até agora. Roubada de bola no meio campo/intermediária avançada, defesa adversária em fase de recomposição e gol.

COMO VOCÊ MONTARIA A EQUIPE???

Após a analise de cada um e do jeito de jogar da seleção Brasileira, temos que montar a equipe e destacar no que devemos ficar atentos:


Primeiramente, vamos ao jogador chave deles. Alexis Sanchez, atacante do Barcelona. Ídolo chileno, está numa fase espetacular e bem diferente do que era. De goleador, passou a garçom da equipe, sendo que nos ultimos 5 jogos, deu 7 assistencias a gol. Tudo na mesma área que demarquei em volta dele no quadro. Ele atrai o zagueiro adversário, recua até o espaço demarcado, faz o giro muito rápido e lança no jogador que entra naquele espaço, seja Aranguiz, Vidal, Vargas. É jogada manjada e há de se ficar de olho. Além disso, gosta muito de tramar jogadas com Isla por ali, sendo o lado direito da equipe o mais forte. David Luiz tem que chegar junto e saber muito bem a hora de sair da linha defensiva, pois pode ser armadilha.

Outro jogador a se observar é Eduardo Vargas. O ex-jogador do Gremio muitas vezes some do jogo, mas quando aparece é fatal. Gosta muito de explorar as costas dos volantes e o espaço entre o zagueiro e o lateral direito da equipe. Faz o facão em diagonal e Sanchez o deixa na cara do gol. Veja esse lance abaixo:

Vargas, mais avançado a esquerda, entra em diagonal e recebe o passe açucarado de Sanchez. Quase sai o gol chileno! Maicon, Thiago Silva e Luis Gustavo tem que ficar de olho nessa movimentaçao.

Além da dupla de ataque, a dupla de volantes é de extrema qualidade física e técnica. Chegam com muita força a área adversária e aparecem de frente para o gol, aproveitando o espaço que o centroavante deveria ocupar. Aranguiz cai mais pelos lados, tabela com Valdivia e entra pelo bico da area. Vidal é mais fisico e aparece de tras para cabecear, alem do potente chute que possui. Luis Gustavo, Oscar, Fernandinho e Ramires terão de ter muita atenção com as chegadas desses dois de trás, que quando chegam sao fatais. A vitória pessoal contra eles será fatal para o domínio do meio campo.

Quanto aos laterais, gostam muito de apoiar. Isla e Mena chegam muito na frente, dando amplitude a equipe. Marcelo principalmente tem de ficar de olho, pois a movimentaçao de Sanchez atrai os LE's para fora da posição e Isla sabe exatamente o timing de explorar isso. Como Diaz fica mais preso, lançam-se juntos ao ataque. Contra-ataques nas costas deles pode ser uma boa solução. Bolas diretas para disputar no aéreo com eles tambem é interessante, por serem baixos, desde que no momento certo.

Gostaria de reservar um parágrafo especial aos dois que qualificam a posse chilena. Diaz e Valdivia. O primeiro organiza o jogo desde trás, faz o jogo fluir e é o maestro da metade defensiva chilena. Tem uma tomada de decisão muito boa e um lançamento longo de muita qualidade. Se não for marcado em cima, o jogo deles fluirá com muita facilidade. Já o segundo os brasileiros conhecem e bem. Se deixar livre, ele bota quem ele quiser na cara do gol. Tem um último passe diferenciado, principalmente no espaço entre zagueiros e laterais adversários. Se movimenta, sai da sua posição e busca jogo sempre quando pode!

O PONTO FRACO DELES


A dupla de zaga chilena Medel e Jara é firme no combate, mas sofre nas bolas aéreas e peca muitas vezes em posicionamento. A opção de Sampaoli se dá pelo fato de que ele prioriza zagueiros que saibam trabalhar bem com a bola no pé, nem que tenha que improvisar outros jogadores para tal (Medel é volante de origem). Dos tres gols que Chile tomou na copa, dois foram de bola aérea. É o ponto fraco claro da defesa chilena. Trabalhar a bola parada será de extrema importancia, pois é uma boa mina de ouro para fazer gols.

Além disso, pressiona-los bem firme na saida é interessante. Por saberem manejar a pelota, deixa-los livre é dar campo para a Roja e pedir para ser dominado. No jogo de novembro, fizemos o primeiro gol assim. Pressionando Gonzalez, erro de passe, dois toques, gol de Hulk. 

QUANTO AS ESCOLHAS DO QUADRO....

Percebam que eu faria várias mudanças, mas não mudaria o jeito de jogar. Exigiria mais intensidade, gás, coisa que sobrou na Copa das Confederações e faltou nessa primeira fase. A marcação tem que ser firme, o sufoco na intermediaria adversaria e a vontade tem de estar presente sempre.

Para ganhar mais intensidade, tiraria os jogadores que estão mais dispersos da equipe e colocaria outros que, saindo do banco, se mostraram bem mais ligados. Na lateral direita, Maicon é mais firme, forte, melhor desfensivamente e mais ligado que Daniel Alves. No meio Fernandinho seria melhor opção que Paulinho, que anda muito preso e se escondendo muito do jogo tanto defensivamente como ofensivamente, além de ser mais forte fisicamente pro combate contra Vidal. Entraria com Ramires no lugar de Hulk para dar velocidade aos contra-ataques, mais liberdade a Neymar e mais número no meio, que precisará ser disputado na unha contra os chilenos. 

Neymar tem que buscar jogo mesmo, mostrar que é o protagonista e ganhar no 1 x 1 seus adversários. Medel se estressa fácil, jogar em cima dele é bem interessante. Oscar tem que manter o pique no ataque que ele tem na defesa. Tem qualidade e pode fazer mais! Colocaria Jo no lugar de Fred, pois participa mais do jogo, se movimenta mais, faz melhor o pivo e é melhor nas bolas aéreas contra a fraca defesa chilena

Enfim, depois de escrever muito, pude resumir como eu entraria pro jogo contra os chilenos. Felipão, da uma lida aí que esse dossiê tá para lá de completo! Disfrutem a leitura. Comentarios sao sempre bem vindos!











quinta-feira, 26 de junho de 2014

COMO GANHAR DO CHILE - Manual para o Felipão - parte 2

Nessa parte 2 da minisérie, farei uma análise de cada jogador da seleção, segundo sua função que vem cumprindo/deveria cumprir e segundo o sistema de Felipão.


ANÁLISE DOS JOGADORES BRASILEIROS



1) Julio Cesar: Goleiro que, apesar de toda a desconfiança da torcida, vem fazendo tua parte. Tem certa dificuldade em chutes de longa distancia do adversário.

2) Daniel Alves e Marcelo: Laterais de ímpeto ofensivo, tem nos avanços, tanto a linha de fundo, como em diagonal, o seu forte. O segundo vem fazendo uma Copa bem segura, participando bem das tramas ofensivas e não dando espaços as suas costas, fazendo todos os fundamentos táticos de lateral de maneira bem correta (basculação, gerando amplitude, etc). Já o jogador do time catalão vem fazendo uma Copa bem abaixo do esperado. Erros constantes de passe, subidas de pressão na hora errada (como no gol da Croácia) e decisões táticas equivocadas vem marcando o torneio de Dani. Maicon seria uma opção melhor para o corredor, devido a experiencia e a melhor tomada de decisões.


3) David Luiz e Thiago Silva: Dupla de zaga muito segura, firme e pelo visto bem entrosada. Jogam em cobertura, saem corretamente para cobrir espaços fora de tua região original (em combate nas zonas do lateral e do volante) e dominam as bolas aéreas. Além de manejarem a pelota no pé bem na saída de bola, ambos tem o recurso de lançarem muito bem bolas longas. Contra o Camarões por exemplo, foram orientados a usarem e abusarem disso, já que os africanos jogavam em linha alta. Pode ser interessante contra o Chile, que joga em linha alta e tem zagueiros baixos.

No quadro acima, esquematizei os lançamentos longos (que não são chutões) da dupla de zaga, o chamado "Ataque Direto". O mais utilizado é a diagonal longa, em que o zagueiro busca o ponta do lado oposto, lançando no espaço entre o lateral e o zagueiro adversário, esse preso pelo pivô de Fred (em vermelho).  A utilização desse recurso contra times de linha defensiva alta, como Camarões e Chile, é uma ótima estratégia, só que para dar certo, precisa que os receptores tenham boa percepção de jogo de costas (o que falta a nossos pontas) e boa matada de bola.

4) Luiz Gustavo: Gostaria de reservar um parágrafo só para ele. UM ACHADO DO FELIPÃO. Primeiro volante de qualidade ímpar. Desce entre os zagueiros para fazer a saída de bola ficar mais fácil (veja abaixo), tem ótima noção de decisão sob pressão adversária, faz a cobertura dos laterais de maneira bem correta (inclusive, limpando e muito a barra de Dani Alves com os espaços que vem deixando) e sabe quando sair de sua posição para realizar a contenção do ataque adversário numa zona fora de seu espaço.

Esquematização da saída de bola brasileira: zagueiros abrem ao lado, Luis Gustavo aprofunda seu posicionamento e se torna o eixo das ações e laterais sobem. Quando não se usa do jogo direto dos zagueiros, Oscar/Neymar buscam atrás o jogo e logo acionam o jogador aberto (lateral/ponta)

5) Paulinho: Peça chave na Copa das Confederações, tinha em seu forte o vigor físico, a explosão de subida e a capacidade de romper as linhas desde trás com suas arrancadas. Chegava muito na área, dando opções a bola aérea brasileira. Quando podia, gerava opção pelo meio para os laterais para facilitar fluidez do jogo. Só que está longe de estar cumprindo bem essas funções. Não fez boa temporada no Tottenham e entra muito disperso no jogo. Pouco aparece dando oferta de passe e parece meio perdido em saber quando participar do jogo com a linha de 3 a frente e quando dobrar na contenção com Luis Gustavo. Fernandinho vem em melhor fase, tem mais equilibrio no movimento de sobe-desce, tem características complementares a de Luis Gustavo e Oscar e me parece ser melhor opção no momento.

6) Oscar e Neymar: Numa colmeia, seriam respectivamente a abelha operária e a rainha. Mesmo com a notável dispersão de Oscar em muitos momentos do jogo, quando ele está ligado o time flui. Além de alta qualidade técnica, é versátil (rendeu muito de ponta direita contra a Croácia), circula na linha de 3, busca jogo no pé de Luis Gustavo e ajuda a dobrar no lado, dificultando a vida dos laterais. Defensivamente, contribui e muito para o projeto de recuperação da pelota na intermediária adversária. Muda de atitude ( sai da mentalidade de atacar para defender) muito rápido, pressiona volantes adversários, volta alinhando com Paulinho e faz número no meio. Já Neymar preciso de poucas palavras para defini-lo: craque do time, circula em todo o campo, roda com Oscar na esquerda, acha os espaços com facilidade e, posicionado mais centralizado, consegue estar sendo mais vertical em direçao ao gol, não a toa, é o artilheiro do campeonato.

Nesse quadro, mostrei o quanto Neymar é o centro das ações na seleção Brasileira. Tem liberdade para buscar a bola atrás,  circula na intermediária adversária e parte pelo meio arrancando e rompendo linhas adversárias.  Se sente mais confortável vindo em diagonal da esquerda e trocando de posição com Oscar, que também gosta de buscar jogo atrás. Essa movimentação confunde adversários e dá fluidez às jogadas.

7) Hulk: Força, explosão e finalização. Esse é o resumo do futebol de Hulk, que, isolado em uma ponta, vejo que contribui pouco pro que pode fazer. Mesmo entrando em diagonal e dando opções interiores, fica muito forçado a buscar a linha de fundo, seja lá pelo lado que esteja, onde cria pouco. Se fosse encorajado a buscar posições mais centrais, poderia ajudar muito mais, encostando em Fred e trabalhando de frente para o gol. Em má fase, não o colocaria nesse jogo contra o Chile. Creio que Ramires viesse a contribuir mais, agregando número ao meio campo e aumentando velocidade ás reações brasileiras.

8) Fred: Centroavante nato, se posiciona muito bem, mas está em pessima fase. Nulo em campo, não vem acertando pivos, anda perdendo todas as bolas no alto e errando muitos passes, além de não estar fazendo gol. Contribui defensivamente preenchendo espaços, mas falta intensidade. Tem fato de gol, mas Jô seria melhor opção, já que ganha mais no alto, aparece mais pra jogo e abre espaços com movimentações. Time fica mais fluido com ele.

9) Reservas: Citarei os mais utilizados. Maicon tem mais explosão física que Dani Alves e mais obediencia tática. Fernandinho, já citado, tem melhor balanço nas subidas e está em boa fase. Hernanes retem mais a bola, faz o jogo girar e dá mais opções centrais. Willian tem muita qualidade técnica, gosta de buscar a diagonal, de colar a bola no pé e explorar os espaços dados pelos volantes adversários. Bernard alarga o campo, busca a linha de fundo e dá mais velocidade e intensidade a pressão na saída. Boas opções que podem dar um maior leque a Felipão.

Ainda hoje, postarei como eu montaria a seleção e como faria para anular as forças chilenas, explorar os defeitos deles e esconder nossos defeitos. Boa leitura!






quarta-feira, 25 de junho de 2014

COMO GANHAR DO CHILE - Manual para o Felipão (PARTE I)

Há um tempo atrás, um certo cidadão vulgo eu resolveu começar a escrever uma série de postagens dissecando a seleção chilena de Sampaoli. E o destino foi engraçado, já que posicionou essa equipe frente a frente com a nossa seleção. Nesse post, mostrarei que pontos fracos o técnico brasileiro deve explorar nos andinos e que pontos fortes ele deve anular. Disfrutem da leitura!

COMO GANHAR DO CHILE - MANUAL PARA FELIPÃO

PARTE 1: OS TIMES

Para poder elaborar uma estratégia, antes de tudo deve-se conhecer quem você é, para depois conhecer quem se está enfrentando. Abaixo, um breve resumo de como são cada uma das seleções que se enfrentarão.

BRASIL

Felipão preferiu manter o time campeão da Copa das Confederações, que foi soberano contra a toda poderosa Espanha. Normalmente, quando se estabelece uma base, vê-se como algo positivo, entrosamento, time unido, etc. Só que não para esse caso. Faltou senso ao perceber que apesar de tudo, o momento do jogador é algo de extrema importância. E isso foi negativo para muitas peças chaves do sistema, representado abaixo:


Com um 4-2-3-1/4-1-4-1 dependendo do posicionamento de Paulinho, combate na intermediária avançada, encaixes por setor e muito volume de jogo, Brasil terminou 2013/2014 como maior força entre as seleções no momento. O então momento dos jogadores facilitava a fluidez desse modelo de jogo. 

Só que a temporada não foi muito boa para muitas dessas peças: Paulinho não foi nem sombra no Tottenham o que era no Corinthians, Oscar muitas vezes banco no Chelsea, Dani Alves em franca queda, Marcelo convivendo com lesões. Isso fez com que o time perdesse a principal característica que o levou ao titulo do ano passado:  a intensidade. Podemos perceber um time muito mais preso nos amistosos e nesse inicio de Copa. Pouca movimentação, muitos erros de passes e dependência grande do craque Neymar. Além disso, notou-se um claro abuso nas ligações diretas dos zagueiros aos pontas. Sabe-se que esse é um ponto forte da nossa dupla de defesa (o lançamento), só que nossos atacantes não tem na recepção de bola aérea o seu forte.

Em compensação, ganhamos na imprevisibilidade da movimentação de Neymar. Com o posicionamento mais centralizado, por opção de Felipão (ou então Parreira?), ele tem mais liberdade para aparecer e protagonizar no time. Ideia boa, se tivéssemos alguém para fazer aquela função na esquerda como ele vinha fazendo. Bernard poderia ser esse nome, mas foi outro que não fez boa temporada.


Com as mudanças na última partida, a entrada de Fernandinho do lugar no inoperante Paulinho e Ramires, bem mais ativo que Hulk, talvez consigamos nos aproximar da intensidade que tivemos ano passado. A saída de Daniel Alves do time titular, muito mal nessa Copa, é essencial. Nao contribui na frente e atrapalha atrás.

CHILE

A equipe do argentino Jorge Sampaoli teve um rumo muito parecido com a Brasileira. Um 2013 sensacional, auge de seus jogadores e do entrosamento da equipe. Só que lesões e más fases atrapalharam e muito o fã de Bielsa. Vidal, o craque, passou por uma artroscopia. Valdivia, o pensador, não engatou. Vargas, inconsistente no Valencia. Em compensação o craque Sanchez melhorou e muito, e no Barcelona, fez grande temporada. E o time, como vem?


Num 3-1-4-2 de estilo claro, firme e fiel a ideia de Bielsa, Sampaoli exige de seus jogadores que exerçam pressão em todos os setores do campo, intensidade além do normal, gosta da bola e ataque a qualquer custo. A diferença de Sampaoli para seu antecessor é que o time atual sabe reter mais a posse do que o anterior, que era mais direto. Diaz, Valdivia e Sanchez contribuem e muito para que a bola circule limpa pelos dois lados. Os zagueiros sabem sair jogando e se sentem confortaveis quando recebem a pressão. O goleiro Bravo, sabe jogar com os pés e tem ótima visão de jogo, não a toa foi contratado pelo Barcelona.

Gosta de variar sua formação, usa muito o 4-4-2 losango tambem quando usa Valdivia e no abafa, coloca um centroavante e abre os dois do ataque. A versatilidade dos jogadores é muito grande e a qualidade técnica tambem.

Quanto ao ataque, Sanchez e Vargas gostam de penetrar em diagonal no espaço entre o lateral e o zagueiro adversário, de onde fazem muitas jogadas. Valdivia, o falso 9, entra pouco na área e busca espaços na intermediária avançada para dar seus passes açucarados. Vidal e Aranguiz, junto c os alas, chegam de trás dando vigor físico aos ataques chilenos.

Nos próximos posts, avaliarei aprofundamente como cada equipe deveria se portar para explorar melhor os defeitos do adversário e abusar de suas qualidades. Primeiro, farei o Manual de Como Ganhar o Chile para o querido Felipão. Depois, o "Manual de como ganar a Brasil" para Sampaoli. Abraços!



 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

ESPECIAL HOLANDA 1974: A ARTE DE UM CARROSSEL

Nessa parte, falarei sobre como foram as escolhas de Michels, quem ele escolheu, e porque ele escolheu as peças. Além disso, analisarei taticamente a função dos mais utilizados durante a Copa:

PARTE 4 (1): AS ESCOLHAS DE MICHELS

A ENTRADA DO TÉCNICO

A federação holandesa teve ousadia. Trocou o tcheco Frantisek Fadrhonc, rebaixou-o a auxiliar e trouxeram o então desenvolvedor do Futebol Total, Rinus Michels. O técnico assumiu com uma seleção até então classificada para a Copa de 74 após a não-presença em 70 e com o peso de ter o que a imprensa local considerava a maior geração da história do país. Ele sabia da responsabilidade que tinha e vendo isso agarrou a chance com unhas e dentes.

Mas ele mal sabia como se situava o elenco. Principalmente composto pelas duas maiores forças do futebol do país, Ajax e Feynoord, o esquadrão se rachava entre os que apoiavam o estilo de jogo do primeiro e o do segundo. O tricampeão europeu tinha como principais nomes Cruyff, Neeskens e Keizer, enquanto o campeão nacional tinha Van Hanegen, Jansen e De Jong. Muita disputa, muitos conflitos internos e Michels tinha que resolver isso tudo.

Defensor do estilo do time de Amsterdam, o técnico bateu na mesa, disse que se usaria do Futebol Total e que os que não concordassem que saíssem da equipe. Era o início do comando que entraria para a historia do futebol.

OS TRES AMISTOSOS DE MICHELS


O primeiro jogo com o General como treinador não teve o resultado esperado. Empate de 1 a 1 com a Austria e time notavelmente jogando com certa desatenção a partida. Novos jogadores foram convocados e o time jogou num 4-2-4/4-3-3 mais ou menos assim:




Inicio da base do time da copa estava sendo construído. No primeiro jogo, que deu em empate, Rep e Resenbrink, jogadores de muita resistencia abriam o campo e acompanhavam o lateral adversario na defesa, deixando a dupla Cruyff e Geels mais a frente, quase num 4-4-2. Michels apostou no entrosamento de De Jong e Van Hanegen na ocupação do terreno central e liberou Neeskens para fazer o combate mais acima, ajudando na tal linha de impedimento tão conhecida. O apoio de Notten e Krol eram cobertos pelos volantes, que tinham bom senso de posicionamento. No gol, preferiu Schrijvers aos outros.

Já no segundo jogo, goleada pra cima da Argentina e um time mais com a cara do que jogou a copa. Tirando os zagueiros, o resto todos foram parte dos 11 titulares. Suurbier e Krol mostravam o vigor físico voando nos lados e apoiavam sabendo que a cobertura pelos volantes Van Hanegen e Haan seria eficiente. Mais a frente deles, Neeskens chegava com muita força ao ataque, no espaço do centroavante, este que não existia devido a Cruyff. Peça chave do time, Michels deu liberdade a ele, abrindo espaços nas defesas adversárias, acionando a dupla Rep e Resenbrink. Notem que para o gol, o técnico apostou no até então desconhecido Jongbloed, que não era muito técnico nos fundamentos de goleiro, mas que tinha qualidade com a bola nos pés e sabia fazer a cobertura da defesa, o que facilitava a subida dela.

Já no terceiro jogo (abaixo), mais testes, insistencia no 4-3-3 e mais um empate, dessa vez contra a Romenia. Sem Cruyff, apostou-se em Geels, Keizer e Resenbrink na frente e num trio de meias com De Jong, Neeskens e Van Hanegen com muita rotação, confundindo adversários. Ja atrás, mais um problema. Israel se lesionou seriamente, e Michels teve de optar por uma dupla improvisada de volantes: Haan e Jansen. Observe:



OS PROBLEMAS QUE MICHELS TEVE

Se alguem acha que foi de uma hora para outra que o Carrossel Holandes se montou, engana-se completamente. Foi muito difícil a vida do treinador, já que teve uma série de problemas na convocação de jogadores chaves. Michels perdeu algumas peças importantes como o ótimo goleiro Van Beveren, que por problemas com Cruyff pediu para não ser mais convocado, o lateral Drost, que abdicou da seleção após as eliminatórias, os atacantes Pahlplatz e Bromkamp, que seguiram o mesmo caminho, o meia Muhren, que devido a uma doença do filho largou o futebol e os tres zagueiros que mais jogavam: Hulshoff, Mansveld e Israel, com lesões. Isso fez com que o time que viria a jogar com o Uruguai tivessem dois improvisados na defesa e um 11 inicial que jamais havia jogado junto.

CONVOCAÇÃO

Abaixo, vemos os 22 jogadores que Michels escolheu para a relação final da Copa:


Back: Van Ierssel, Cruyff, Jongbloed, Schrijvers, Haan, Rijsbergen,
Neeskens, Israël, Keizer, Treytel, Krol, Suurbier, Van Hanegem.
Front: Jansen, Rep, Willy van de Kerkhof, René van de Kerkhof, 
Geels, Rensenbrink, Strik, Vos, De Jong. 


Como será que isso encaixou tão perfeitamente? Foi magica? Veremos na segunda metade desse post, em que falarei sobre a função tática individual dos escolhidos de Michels. Sairemos um pouco do painel histórico e entraremos no que interessa!!! Abraços!







sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

ESPECIAL HOLANDA 1974: A ARTE DE UM CARROSSEL

Nessa parte do especial, falarei sobre como foram os anos que antecederam a copa de 1974 das principais peças que compuseram o carrossel. Disfrutem:

PARTE 3: O PRÉ-COPA DAS PRINCIPAIS PEÇAS DO CARROSSEL

Os anos que antecederam a copa de 1974 foram de muitas conquistas para o futebol Holandes. Na Liga dos Campeões, últimos quatro anos de domínio dos neerlandeses, com um título do Feyenoord em 1970 e tres títulos do Ajax no trienio 71-72-73. Domínio absoluto por parte dos times, porém a seleção ainda cambaleava e muito.

FEYENOORD 

Primeiro campeão europeu holandês da historia


O já campeão holandês da temporada de 1968-1969 vinha para uma Liga dos Campeões motivado para ganha-la após, no ano anterior, o rival Ajax ter perdido a final para o Milan. No comando do time, uma troca para lá de ousada: o então treinador Ben Peeters foi rebaixado de novo para as categorias de base e trouxeram o Austríaco Ernst Happel. Brilhante técnico que encontrou um elenco sólido, coeso, equilibrado, de muito potencial e de reforços como o lateral esquerdo Van Duivenbode, dispensado do Ajax.

Na Liga dos Campeões, evoluíram jogando um futebol ofensivo e muito objetivo. Após a perda do campeonato holandês para o rival, se concentraram no torneio continental e foram pra cima dos adversários. Happel fixou um 4-3-3, novidade para uma época onde se predominava o 4-2-4. Ao perceber que o domínio do meio campo influenciava e muito na partida, o treinador recuou um jogador do ataque e ganhou muito mais controle da pelota. O time ficava mais ou menos assim:


O time acima foi o que jogou a final contra o Celtic. O goleiro titular era Treytel, constantemente convocado para a seleção, que não participou da partida para o lugar de Graafland, goleiro de muita presença física e de qualidade no 1vs1. Happel apostou em laterais mais marcadores como Romeijn e Van Duivenbode, mas que quando subiam eram eficientes. No miolo de zaga (Israel e Laseroms), uma dupla que, apesar de as vezes ser ríspida demais defendendo, sabia manejar a pelota e dava qualidade a saída, sabendo se usar tanto da bola curta no tripe de meio campo, como na bola longa nos pontas. 

No setor de meio de campo, dois dos três que viriam a compor o centro do Carrossel holandês. O primeiro deles era Jansen, motorzinho do time, o jogador mais versátil. Veloz e baixinho, tinha uma visão de jogo diferenciada e sabia atacar muito bem o espaço que os atacantes liberavam. O segundo era Van Hanegen,  meia canhoto de muita cadencia, ritmo lento e que gostava de explorar o lado esquerdo apoiando quem viesse por aquele corredor. O terceiro era o Austriaco Hasil, que tinha muita qualidade no passe, deixando o trio em ótimas condiçoes muitas vezes.

Ja no ataque, dois pontas velozes e importantes para o tambem esquema de circulação veloz de Happel. Wery pela direita foi importantíssimo fazendo gols chaves, como o da final e Mouljin essencial para desmontar as defesas adversárias com seus dribles desconcertantes. Para muitos, esse ultimo é o maior atacante da historia do clube. No centro, o sueco Kindvall se destacava por sempre se posicionar muito bem e fazer muito gol.

Kindvall e o capitão Israel com a taça

Ernst Happel, após ganhar mais um holandes em 1971-1972, viria sair dois anos depois para a entrada de Wiel Coerver, técnico estudioso e que possuia métodos próprios e diferentes de treinamento, de muito enfase no técnico-tático de forma progressiva, desde treinos simplíssimos a outros muito complexos. Seu método encantou o grupo e fez o clube retomar o caminho das vitórias.

Com um ataque massivo de 96 gols em 34 jogos, voltaram a ganhar o campeonato nacional após perderem para o Ajax no ano anterior. Com um time ainda veloz, mas mais flexível taticamente e com muito mais jogadas treinadas. Paralelamente ao torneio, disputavam a Copa da UEFA, essa que venceram com imponência, após uma dura batalha contra os ingleses do Tottenham. Com o mesmo 4-3-3, entraram em campo assim:



Mais flexivel, o Feyenoord de Coerver apostava em laterais de muita explosao física e que se superavam facilmente na marcação. Ambos, Rijsbergen e Vos, viriam a ser convocados por Michels. Ao lado do xerife Israel, o técnico consolidou o então zagueiro reserva Van Daele, que gostava muito de sair para fazer número no meio campo.

Na meiúca, os mesmos Jansen e Van Hanegen, com mais liberdade, se mantiveram, mas ao inves de Hasil, um outro futuro convocado viria a compor o setor. Theo de Jong tinha boa noção de ataque vertical e incorporava a linha de frente com muita facilidade, além de cobrir as subidas de Jansen quando ele resolvia ir mais a frente. Um pouco de "Futebol Total" do rival no Feyenoord.


Com o envelhecimento dos atacantes campeões continentais, o técnico apostou num trio novo. Hassel pela direita lembrava muito Mouljin com seus dribles e Kristensen, mais versatil, buscava muito a bola no meio dando espaço para as penetrações vindas de trás. No meio, o holandês Schoenmaker fez historia, sendo o artilheiro daquele torneio.


Muitos jogadores viriam a ser chamados para compor o esquadrão da copa de 1974, mas mesmo assim não eram a maioria. O rival viria a ser a base da seleção de Michels, até por ter mais jogadores de confiança.


AJAX 

Existe vida pós-Rinus Michels

Após o título de 1971 da Liga dos Campeões, Michels saiu e colocaram o romeno Stefan Kovacs no lugar. Quem imaginava que o "Futebol Total" iria parar devido a troca de comandante se enganou. O novo treinador, de filosofia diferente de Michels, deu mais liberdade a seus jogadores e viu o time, em evolução constante, atingir o auge do ideal que seu antecessor pensava. Deu mais liberdade para os defensores subirem, sabendo que os meias poderiam cobri-los. Abaixo, as setas mostram perfeitamente as PERMUTAS VERTICAIS que se destacavam:


Ao escolher Blankenburg no lugar do iugoslavo Vasovic, Kovacs adicionou intensidade física e explosão vindo de trás, mantendo Hulshoff como o ultimo homem. Efetivou o então moleque Krol na esquerda e continuou com o bom trabalhador Suurbier na direita, dois laterais que subiam muito para apoiar a frente. No meio, apostou em tres jogadores muito versáteis e de ótima leitura de espaço: Muhren, Neeskens e Haan mantinham a intensidade tanto para fazer a cobertura de eventuais subidas dos homens de trás como para atacar o espaço que os homens da frente liberavam. Na frente, apostou na experiencia do bom Keizer, que buscava bem a bola atrás e gerava espaço livre a  ser atacado e no crescente atacante Johnny Rep, que corria o lado direito todo, abrindo campo para as entradas interiores dos homens de trás.

Notem que está faltando falar do principal: Johan Cruyff. Kovacs foi genial ao dar total liberdade para o craque em campo e desocupar o espaço que supostamente seria do atacante central, dificultando a vida dos zagueiros adversários, que perdiam a referencia de marcação. Sempre dando opção de passe, Cruyff tomou a batuta de vez pra si e explodiu como gênio, atuando em todas as faixas do campo. 

Cruyff vindo buscar bola atrás (verde) gerando espaço na frente

Com o "Futebol Total" estourado, Ajax dominou o continente nos dois anos consequentes e se tornou tri-campeão europeu. Inclusive uma partida pode-se destacar entre as demais por ver a pureza do modelo de jogo. Final de 73, Juventus e Ajax. Domínio total do meio campo, laterais trocando de lado, ultrapassando, zagueiro central com 3 finalizaçoes a gol, Neeskens e Cruyff se multiplicavam no campo. ARTE!

No final de 1973, apos a saida de Kovacs, a magia começou a cair. Numa eleição para capitão, Cruyff perdeu para Keizer e, insatisfeito, viria a sair da equipe e seguir os passos de seu mestre indo para o Barcelona.

Os frutos da semente que Michels ajudou a plantar estavam sendo colhidos, mas ainda não era o pico. Precisava-se fazer o mundo saber do projeto. Todo o conceito desenvolvido, a arquitetura perfeita dos espaços do campo, abrindo-o quando atacavam e diminuindo-o quando defendiam, as intensas trocas de posições, o pressing, tudo isso seria utilizado mais a frente. Por ja conhecer grande parte dos jogadores e querer implantar o sistema na equipe, quando o técnico foi para a seleção, fez do Ajax a base da equipe.

Mas engana-se quem pensa que mesmo com essa safra toda de Ajax e Feyenoord, a seleção holandesa ia bem nesse período entre 1970 e 1973...

SELEÇÃO 

Mal das pernas

Após a não-classificação para a copa de 1970, a federação holandesa contratou o tcheco Frantisek Fadrhonc para assumir o lugar do alemão Georg Kessler. Estreou em 1970 mesmo com uma derrota para a Iugoslavia por 1 a 0 nas preliminares para a Eurocopa. Seguindo os padrões das duas principais equipes do país, nos dois primeiros anos, começou com um 4-2-4 e ao perceber que perdia meio campo com isto, utilizou um 4-3-3 com duas variações:

Notem como fica somente 2 no setor de meio, que acabam se sobrecarregando





















Já nas duas variações de 4-3-3, o tcheco moldou o time segundo o posicionamento de seu craque Cruyff. Quando o utilizava pelo centro, fazia que nem Michels e Kovacs e dava liberdade de atuação por todo o campo. Quando utilizava um centroavante, o posicionava ao lado direito, ja que Keizer era absoluto do lado esquerdo.

Com a decaída de alguns jogadores e o crescimento de outros, entre eles Rep, Haan e Resenbrink, a base foi mudando. Com o vistoso futebol do Ajax e o estilo de jogo vitorioso do Feyenoord, a cobrança sobre o treinador aumentou, já que passados dois anos, poucos resultados vieram. A não-classificação para as fases finais da Eurocopa de 1972 até ameaçou ele no cargo, mas a federação decidiu mante-lo.

Durante todo 1973, se realizaram as eliminatórias para a Copa de 74. Vitórias vieram e resultados foram eficientes para uma classificação indiscutível. Porém faltava algo mais. Faltava um futebol vistoso, bonito, que a dupla Ajax-Feyenoord conseguiram trazer ao futebol holandes. Õ objetivo era o tão sonhado titulo mundial. A tacada de mestre da federação foi demitir o treinador tcheco para trazer logo o cara que implantou no Ajax a ideia de "Futebol Total". Rinus Michels foi chamado e assumiu em conjunto a seleção e o Barcelona, coisa para poucos. Como que a equipe foi montada, porque ele escolheu cada um dos 22 jogadores? Próximo post falarei tudo. Abraços!

Fontes de pesquisa:

http://imortaisdofutebol.com/2013/07/20/esquadrao-imortal-feyenoord-1968-1974/
http://rdfc.com.ne.kr/int/ned-intres-1970.html
http://timhi.wordpress.com/2010/09/17/aja-1973/
http://imortaisdofutebol.com/2012/04/10/esquadrao-imortal-ajax-1970-1973/
http://www.theguardian.com/football/blog/2013/may/22/great-european-cup-teams-ajax
http://wp.clicrbs.com.br/prelecao/2010/03/02/o-futebol-total-do-carrossel-holandes/






terça-feira, 28 de janeiro de 2014

ESPECIAL HOLANDA 1974: A ARTE DE UM CARROSSEL

Continuando a minha série de posts sobre o Carrossel Holandes, falarei sobre como foi a estadia vitoriosa de Michels no Ajax, como ele começou a desenvolver o até então embrionário "Futebol Total" e analisarei a evolução da equipe dentro desse contexto:

PARTE 2: RINUS MICHELS E AJAX: CASAMENTO PERFEITO

Michels estreando no Ajax - Fonte: Site oficial do Ajax

Contratado em 1965, com o time lá embaixo após a saida de Vic Buckingham, Rinus Michels chegou com um ímpeto bem diferente na equipe. Vendo que a situação não estava das melhores, um elenco pouco renovado e com pouca ambição, o técnico logo tratou de mudar a filosofia de treinamento que se tinha no Ajax. De treinos mais soltos e descontraídos, passou-se a ter sessões mais pesadas, uma exigência de disciplina muito maior em prol do coletivo, e um treinador muito mais metódico e rígido, contrastando muito com o estilo brincalhão do Michels jogador e lembrando um pouco o jeitão de seu ex-treinador Jack Reynolds. Com isso, ganhou o apelido de "De Generaal" por seus comandados e que seguiu para todo o resto da sua carreira.

Não foi só o método de treinamento que mudou. Michels vendo que o modelo de jogo anterior estava ineficiente logo tratou de trocar tudo. Do tradicional W-M (3-2-2-3) inglês, que já estava em decadência nos anos 60, passou para o então esquema da moda 4-2-4 que a seleção brasileira de 1958 utilizou e fez sucesso. Observe abaixo como a troca influenciou e muito na ocupação do terreno:



Note como o W-M (em branco), apesar de teoricamente ter superioridade numérica no meio campo, prejudica-se na ocupação dos espaços. A pouca amplitude (largura) do meio campo faz com que a equipe gere muitos espaços no lado oposto (espaços claros nas laterais). Já na defesa (círculo em amarelo), ele gera uma situação de 1 x 2 (1 zagueiro contra dois atacantes centralizados), o que complica e muito a marcação, na época ainda individual, precisando puxar um jogador do meio campo para ao menos igualar numericamente, o que já não é o ideal.

Já em relação ao jeito de jogar, Michels implantou o ideal de Reynolds. Inspirado na Hungria vice-campeã de 1954 comandada por Gustav Sebes, usou-se de um futebol ofensivo, de toque de bola, o "pass-and-move", mobilidade, circulação pelos dois lados visando a tomada do campo adversário. Modelo que levou o time a uma grande arrancada e ao título holandês de 1965-1966. Por ganhar o campeonato, tiveram o direito de disputar a Champions League.

Champions essa que faria esse Ajax dar o primeiro susto no continente europeu. O placar agregado de 5-1 ao gigante da Inglaterra Liverpool mostrou o primeiro espasmo do sucesso que estava por vir. Abaixo, como Rinus montou a equipe, que já contava com um certo gênio que houvera sido promovido dois anos antes, um tal de Johan Cruyff. Notem como os esquemas teoricamente se encaixavam e como o toque de bola rápido e a movimentação exigida pelo técnico fez a diferença contra um time de futebol mais direto como era o Liverpool:


O pressing e a troca de posições intensas que viriam a caracterizar o "Futebol Total" ainda não eram vistos, mas já começavam a dar seus primeiros passos. O primeiro passo de Michels que viria a possibilitar esse inicio de crescimento foi, por incrivel que pareça a contratação de um jogador. Com a saida do capitão Soetekouw após ter feito um gol contra na mesma Champions de 66, o Ajax foi atrás de um novo zagueiro e trouxe o iugoslavo Vasovic.

O libero viria, junto com Michels, a elaborar um conceito que ninguém havia utilizado ainda e que atualmente é muito utilizado. Jogador de muita inteligencia, passou a se utilizar de um simples movimento. Ele, como último homem da equipe, ao invés de correr para trás para defender a meta, ia para frente pressionar o adversario com a bola antes do passe final. Era o primeiro esboço da famosa LINHA DE IMPEDIMENTO que viria a ser uma das principais armas do Carrossel Holandês.

Ultimo homem pressiona o portador e os outros dois se alinham dando um passo a frente antes do passe final.

Esse movimento viria a ser visto com muita ressalva pelos seus companheiros, mas apos verem a eficiência dele, passaram a facilitar e trabalhar para que a linha fosse mais efetiva ainda. Com esse recurso, o campo efetivo de jogo para os adversários ficou bem reduzido e dificultou muitos adversários.

Além de Vasovic, outro ótimo fator individual que ajudou no desenvolvimento do "Futebol Total" foi o estouro da então promessa Cruyff. O jovem começava a se destacar com uma genialidade fora do comum, habilidade, explosão, técnica e capacidade de raciocínio velocíssima. Em 1967, o craque foi o artilheiro do campeonato com 33 gols e se tornava rapidamente o líder do time, além de levar para dentro de campo as recomendações e táticas de Michels, com quem se dava muito bem e discutia sobre fundamentos e espaços do campo constantemente.

Agora, vocês devem estar pensando. Falou-se da LINHA DE IMPEDIMENTO, falou-se do FATOR CRUYFF, dois grandes influenciadores desse time. E as tão famosas e revolucionárias TROCAS DE POSIÇÕES, qual foi o motivo de elas começarem a ocorrer?

Primeiramente, recorramos a dois acontecimentos, por sinal duas finais de Champions seguidas. 

Primeiro caso: Temporada de 1967-1968, final entre Internazionale e Celtic. O time italiano, do mito Helenio Herrera, do famoso Catenaccio, da defesa solida com um líbero por trás de três defesas venceu jogando bem atrás o jogo de passes escocês. Michels assistiu a partida e tomou notas. Uma delas ficou guardada para ele: "Uma defesa com bons zagueiros e bem posicionada só poderia ser quebrada com ondas de ataques massivos". E ficou com uma pergunta na cabeça: "Como fazer uma boa estrutura defensiva sofrer com essas ondas?"

A resposta foi simples, mas a partir da mesma surgiu um novo problema. Como escreveu em seu livro Teambuilding: Road to Sucess: "Tentei arranjar maneiras de conseguir quebrar aquelas barreiras [...] Eu tinha que fazer jogadores de meio e de defesa participarem das ações ofensivas para poder complicar a vida deles. Parece fácil dizendo, mas é um longo caminho a percorrer, já que o mais difícil não é ensinar um lateral a atacar - eles gostam disso - mas sim arranjar e convencer alguém da frente a cobrir o espaço que ele gerou atrás."

A partir da temporada 68-69, viu-se um time muito mais fluido no campo. Trocas de posição tanto horizontais como verticais eram vistas no campo. Podíamos ver o ponta Swart vindo cobrir uma subida do lateral Suurbier, o meia direito Neeskens vir apoiar o lateral esquerdo Van Duivenbode, dentre outros exemplos. Apesar da grande dificuldade inicial em fazer os da frente terem essa consciência, conseguiu-se atingir um nível de COMPENSAÇÕES POSICIONAIS eficiente dentro do 4-2-4 que Michels propunha, com jogadores engajados dentro da ideia de ajudar o companheiro que atacou, cobrindo seu espaço. Surgia aí também mais um conceito que a seleção holandesa viria a usar e abusar na copa: o de ECONOMIA DE ENERGIA, esse que explicarei mais a fundo a frente.

O nível de futebol apresentado foi tão bom que fez com que o Ajax chegasse a final da Champions League do ano. Chegamos ao segundo caso. Milan e Ajax se enfrentavam em Paris. Ambos estavam escalados assim:


Final de jogo, 4 a 1 para os italianos e decepção holandesa. Após tentar insistir no esquema por mais um ano, num empate com o Feyenoord, Michels viu seu time tomar gols que exploraram os dois maiores defeitos de seu sistema de jogo 4-2-4: a recomposição e a inferioridade numérica no meio campo. Vendo isso, usou a perda do título e o empate com o maior adversário como feedback e reajustou seu Ajax recuando um jogador da frente para o meio campo, seguindo os passos do próprio Happel, treinador do rival. Fez-se um teórico 4-3-3 (o sistema que seria a base do Carrossel), que ocupava melhor os espaços do campo, facilitava mais a permuta de posições e adicionava um jogador ao terreno central. Disse teórico pois ele fez uma outra modificação que viria acrescentar e muito ao domínio do campo nas áreas medianas. Rinus estimulou um dos zagueiros, normalmente o parceiro de Vasovic a tomar posições mais adiantadas no terreno em relação a linha defensiva. Com isso, ganhava-se mais um homem no meio e facilitaria-se a conquista do mesmo, formando uma espécie de 1-3-3-3. 



Soma-se essas mudanças táticas a uma renovação no elenco. Limpou o elenco de jogadores que vinham produzindo pouco como o goleiro Bals, o lateral Van Duivenbode, os volantes Pronk e Muller e o atacante Klaas Nuninga, para trazer o bom goleiro Stuy, o bom volante Haan, o ótimo meia Muhren e duas peças que viriam a se tornar chaves nesse Ajax e futuramente na seleção Holandesa: subiram o promissor lateral Ruud Krol e o ótimo meia Johan Neeskens, que viria a ajudar no desenvolvimento de um outro conceito que marcou esse time.

Ele era notável por perseguir ferozmente seus adversários, apertando-os para tentar a recuperação da bola a qualquer custo, chamando seus companheiros para ajudar a dificultar a progressão deles, seja lá onde fosse, em seu campo ou no do adversário. Veja abaixo uma imagem que resume tudo, com ele se atirando a frente da bola para tentar pega-la de volta:



Os jogadores da equipe holandesa viram a entrega que Neeskens dava, e ao ver a eficiência, todos passaram a fazer o mesmo e ajuda-lo quando eram chamados. Somando essa marcação mais firme feita por todos em busca da recuperação da bola (cerrando espaços próximos ao adversário com a pelota) à linha defensiva muito alta quase situada no meio campo, consequência da movimentação de Vasovic, geraram-se dois conceitos que viriam ser a tona de muitos modelos de jogo atuais: o PRESSING e a MARCAÇÃO EM BLOCO ALTO. Dois conceitos que, quando realizados em conjunto, reduzem e muito o campo de atuação do adversário. Prestem atenção nessa dupla de prints abaixo como o Ajax sufoca o adversário no seu campo, estimulados pelo posicionamento avançado de sua defesa e pela incessante vontade de ter a bola nos seus pés:


 Após uma definição melhor dos conceitos citados e uma maturação do modelo de jogo e dos jogadores da equipe, os frutos começaram a ser colhidos em âmbito internacional. Após dominar a Holanda no quatriênio 65-66, 66-67, 67-68 e 68-69, e estimulados pelo título europeu do rival Feyenoord em 1970, o Ajax foi com tudo para ganhar a Champions do ano seguinte. E não deu outra: título em cima do estreante em finais Panathinaikos e glória continental.

Time da final - Krol fora, Cruyff com liberdade para sair da direita e flutuar o campo todo dando campo para o improvisado Neeskens subir e um Van Dijk com bom faro de gol. Fonte:  inthefreerole.com

Após o título, o time relaxou. As cobranças do "Generaal" ficaram mais fortes e isso gerou um desgaste no elenco. Antes que tomasse maiores proporções, Michels recebeu uma proposta do Barcelona e partiu para a Catalunha, encerrando seu ciclo no clube. Mal sabia ele o que 1974 lhe reservava e como o desenvolvimento de suas ideias no "laboratório Ajax" e do "Futebol Total", onde o time tinha condições de ter os 10 de linhas atacando e defendendo com alta intensidade, seria de extrema importância para a criação do que muitos chamam de maior time da história. Antes de terminar o post, fico com a citação de Barry Hulshoff, zagueiro daquele Ajax, definindo em poucas palavras esse estilo de jogo:

 "As pessoas não conseguiam ver que as vezes fazíamos coisas automaticamente. Isso vem do entrosamento de jogar junto por muito tempo. O futebol fica melhor quando fica instintivo. Crescemos juntos como equipe com esse modelo de jogo. Futebol Total significa que um jogador supostamente de ataque pode ajudar na defesa. Você gera espaço, e um companheiro o ocupa. E se a bola não chega, você sai desse espaço e outro companheiro irá ocupá-lo."

Na próxima parte, analisarei o processo de formação da Laranja Mecânica, as duas equipes bases que a formaram e como foram os anos que antecederam aquele sucesso. Abraços!

Por Gabriel Daiha

Fontes:

http://www.holdingmidfield.com/?p=629
http://imortaisdofutebol.com/2012/04/10/esquadrao-imortal-ajax-1970-1973/
http://www.theguardian.com/football/blog/2013/may/22/great-european-cup-teams-ajax
http://inthefreerole.com/tag/rinus-michels/