quinta-feira, 26 de junho de 2014

COMO GANHAR DO CHILE - Manual para o Felipão - parte 2

Nessa parte 2 da minisérie, farei uma análise de cada jogador da seleção, segundo sua função que vem cumprindo/deveria cumprir e segundo o sistema de Felipão.


ANÁLISE DOS JOGADORES BRASILEIROS



1) Julio Cesar: Goleiro que, apesar de toda a desconfiança da torcida, vem fazendo tua parte. Tem certa dificuldade em chutes de longa distancia do adversário.

2) Daniel Alves e Marcelo: Laterais de ímpeto ofensivo, tem nos avanços, tanto a linha de fundo, como em diagonal, o seu forte. O segundo vem fazendo uma Copa bem segura, participando bem das tramas ofensivas e não dando espaços as suas costas, fazendo todos os fundamentos táticos de lateral de maneira bem correta (basculação, gerando amplitude, etc). Já o jogador do time catalão vem fazendo uma Copa bem abaixo do esperado. Erros constantes de passe, subidas de pressão na hora errada (como no gol da Croácia) e decisões táticas equivocadas vem marcando o torneio de Dani. Maicon seria uma opção melhor para o corredor, devido a experiencia e a melhor tomada de decisões.


3) David Luiz e Thiago Silva: Dupla de zaga muito segura, firme e pelo visto bem entrosada. Jogam em cobertura, saem corretamente para cobrir espaços fora de tua região original (em combate nas zonas do lateral e do volante) e dominam as bolas aéreas. Além de manejarem a pelota no pé bem na saída de bola, ambos tem o recurso de lançarem muito bem bolas longas. Contra o Camarões por exemplo, foram orientados a usarem e abusarem disso, já que os africanos jogavam em linha alta. Pode ser interessante contra o Chile, que joga em linha alta e tem zagueiros baixos.

No quadro acima, esquematizei os lançamentos longos (que não são chutões) da dupla de zaga, o chamado "Ataque Direto". O mais utilizado é a diagonal longa, em que o zagueiro busca o ponta do lado oposto, lançando no espaço entre o lateral e o zagueiro adversário, esse preso pelo pivô de Fred (em vermelho).  A utilização desse recurso contra times de linha defensiva alta, como Camarões e Chile, é uma ótima estratégia, só que para dar certo, precisa que os receptores tenham boa percepção de jogo de costas (o que falta a nossos pontas) e boa matada de bola.

4) Luiz Gustavo: Gostaria de reservar um parágrafo só para ele. UM ACHADO DO FELIPÃO. Primeiro volante de qualidade ímpar. Desce entre os zagueiros para fazer a saída de bola ficar mais fácil (veja abaixo), tem ótima noção de decisão sob pressão adversária, faz a cobertura dos laterais de maneira bem correta (inclusive, limpando e muito a barra de Dani Alves com os espaços que vem deixando) e sabe quando sair de sua posição para realizar a contenção do ataque adversário numa zona fora de seu espaço.

Esquematização da saída de bola brasileira: zagueiros abrem ao lado, Luis Gustavo aprofunda seu posicionamento e se torna o eixo das ações e laterais sobem. Quando não se usa do jogo direto dos zagueiros, Oscar/Neymar buscam atrás o jogo e logo acionam o jogador aberto (lateral/ponta)

5) Paulinho: Peça chave na Copa das Confederações, tinha em seu forte o vigor físico, a explosão de subida e a capacidade de romper as linhas desde trás com suas arrancadas. Chegava muito na área, dando opções a bola aérea brasileira. Quando podia, gerava opção pelo meio para os laterais para facilitar fluidez do jogo. Só que está longe de estar cumprindo bem essas funções. Não fez boa temporada no Tottenham e entra muito disperso no jogo. Pouco aparece dando oferta de passe e parece meio perdido em saber quando participar do jogo com a linha de 3 a frente e quando dobrar na contenção com Luis Gustavo. Fernandinho vem em melhor fase, tem mais equilibrio no movimento de sobe-desce, tem características complementares a de Luis Gustavo e Oscar e me parece ser melhor opção no momento.

6) Oscar e Neymar: Numa colmeia, seriam respectivamente a abelha operária e a rainha. Mesmo com a notável dispersão de Oscar em muitos momentos do jogo, quando ele está ligado o time flui. Além de alta qualidade técnica, é versátil (rendeu muito de ponta direita contra a Croácia), circula na linha de 3, busca jogo no pé de Luis Gustavo e ajuda a dobrar no lado, dificultando a vida dos laterais. Defensivamente, contribui e muito para o projeto de recuperação da pelota na intermediária adversária. Muda de atitude ( sai da mentalidade de atacar para defender) muito rápido, pressiona volantes adversários, volta alinhando com Paulinho e faz número no meio. Já Neymar preciso de poucas palavras para defini-lo: craque do time, circula em todo o campo, roda com Oscar na esquerda, acha os espaços com facilidade e, posicionado mais centralizado, consegue estar sendo mais vertical em direçao ao gol, não a toa, é o artilheiro do campeonato.

Nesse quadro, mostrei o quanto Neymar é o centro das ações na seleção Brasileira. Tem liberdade para buscar a bola atrás,  circula na intermediária adversária e parte pelo meio arrancando e rompendo linhas adversárias.  Se sente mais confortável vindo em diagonal da esquerda e trocando de posição com Oscar, que também gosta de buscar jogo atrás. Essa movimentação confunde adversários e dá fluidez às jogadas.

7) Hulk: Força, explosão e finalização. Esse é o resumo do futebol de Hulk, que, isolado em uma ponta, vejo que contribui pouco pro que pode fazer. Mesmo entrando em diagonal e dando opções interiores, fica muito forçado a buscar a linha de fundo, seja lá pelo lado que esteja, onde cria pouco. Se fosse encorajado a buscar posições mais centrais, poderia ajudar muito mais, encostando em Fred e trabalhando de frente para o gol. Em má fase, não o colocaria nesse jogo contra o Chile. Creio que Ramires viesse a contribuir mais, agregando número ao meio campo e aumentando velocidade ás reações brasileiras.

8) Fred: Centroavante nato, se posiciona muito bem, mas está em pessima fase. Nulo em campo, não vem acertando pivos, anda perdendo todas as bolas no alto e errando muitos passes, além de não estar fazendo gol. Contribui defensivamente preenchendo espaços, mas falta intensidade. Tem fato de gol, mas Jô seria melhor opção, já que ganha mais no alto, aparece mais pra jogo e abre espaços com movimentações. Time fica mais fluido com ele.

9) Reservas: Citarei os mais utilizados. Maicon tem mais explosão física que Dani Alves e mais obediencia tática. Fernandinho, já citado, tem melhor balanço nas subidas e está em boa fase. Hernanes retem mais a bola, faz o jogo girar e dá mais opções centrais. Willian tem muita qualidade técnica, gosta de buscar a diagonal, de colar a bola no pé e explorar os espaços dados pelos volantes adversários. Bernard alarga o campo, busca a linha de fundo e dá mais velocidade e intensidade a pressão na saída. Boas opções que podem dar um maior leque a Felipão.

Ainda hoje, postarei como eu montaria a seleção e como faria para anular as forças chilenas, explorar os defeitos deles e esconder nossos defeitos. Boa leitura!






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