quarta-feira, 25 de junho de 2014

COMO GANHAR DO CHILE - Manual para o Felipão (PARTE I)

Há um tempo atrás, um certo cidadão vulgo eu resolveu começar a escrever uma série de postagens dissecando a seleção chilena de Sampaoli. E o destino foi engraçado, já que posicionou essa equipe frente a frente com a nossa seleção. Nesse post, mostrarei que pontos fracos o técnico brasileiro deve explorar nos andinos e que pontos fortes ele deve anular. Disfrutem da leitura!

COMO GANHAR DO CHILE - MANUAL PARA FELIPÃO

PARTE 1: OS TIMES

Para poder elaborar uma estratégia, antes de tudo deve-se conhecer quem você é, para depois conhecer quem se está enfrentando. Abaixo, um breve resumo de como são cada uma das seleções que se enfrentarão.

BRASIL

Felipão preferiu manter o time campeão da Copa das Confederações, que foi soberano contra a toda poderosa Espanha. Normalmente, quando se estabelece uma base, vê-se como algo positivo, entrosamento, time unido, etc. Só que não para esse caso. Faltou senso ao perceber que apesar de tudo, o momento do jogador é algo de extrema importância. E isso foi negativo para muitas peças chaves do sistema, representado abaixo:


Com um 4-2-3-1/4-1-4-1 dependendo do posicionamento de Paulinho, combate na intermediária avançada, encaixes por setor e muito volume de jogo, Brasil terminou 2013/2014 como maior força entre as seleções no momento. O então momento dos jogadores facilitava a fluidez desse modelo de jogo. 

Só que a temporada não foi muito boa para muitas dessas peças: Paulinho não foi nem sombra no Tottenham o que era no Corinthians, Oscar muitas vezes banco no Chelsea, Dani Alves em franca queda, Marcelo convivendo com lesões. Isso fez com que o time perdesse a principal característica que o levou ao titulo do ano passado:  a intensidade. Podemos perceber um time muito mais preso nos amistosos e nesse inicio de Copa. Pouca movimentação, muitos erros de passes e dependência grande do craque Neymar. Além disso, notou-se um claro abuso nas ligações diretas dos zagueiros aos pontas. Sabe-se que esse é um ponto forte da nossa dupla de defesa (o lançamento), só que nossos atacantes não tem na recepção de bola aérea o seu forte.

Em compensação, ganhamos na imprevisibilidade da movimentação de Neymar. Com o posicionamento mais centralizado, por opção de Felipão (ou então Parreira?), ele tem mais liberdade para aparecer e protagonizar no time. Ideia boa, se tivéssemos alguém para fazer aquela função na esquerda como ele vinha fazendo. Bernard poderia ser esse nome, mas foi outro que não fez boa temporada.


Com as mudanças na última partida, a entrada de Fernandinho do lugar no inoperante Paulinho e Ramires, bem mais ativo que Hulk, talvez consigamos nos aproximar da intensidade que tivemos ano passado. A saída de Daniel Alves do time titular, muito mal nessa Copa, é essencial. Nao contribui na frente e atrapalha atrás.

CHILE

A equipe do argentino Jorge Sampaoli teve um rumo muito parecido com a Brasileira. Um 2013 sensacional, auge de seus jogadores e do entrosamento da equipe. Só que lesões e más fases atrapalharam e muito o fã de Bielsa. Vidal, o craque, passou por uma artroscopia. Valdivia, o pensador, não engatou. Vargas, inconsistente no Valencia. Em compensação o craque Sanchez melhorou e muito, e no Barcelona, fez grande temporada. E o time, como vem?


Num 3-1-4-2 de estilo claro, firme e fiel a ideia de Bielsa, Sampaoli exige de seus jogadores que exerçam pressão em todos os setores do campo, intensidade além do normal, gosta da bola e ataque a qualquer custo. A diferença de Sampaoli para seu antecessor é que o time atual sabe reter mais a posse do que o anterior, que era mais direto. Diaz, Valdivia e Sanchez contribuem e muito para que a bola circule limpa pelos dois lados. Os zagueiros sabem sair jogando e se sentem confortaveis quando recebem a pressão. O goleiro Bravo, sabe jogar com os pés e tem ótima visão de jogo, não a toa foi contratado pelo Barcelona.

Gosta de variar sua formação, usa muito o 4-4-2 losango tambem quando usa Valdivia e no abafa, coloca um centroavante e abre os dois do ataque. A versatilidade dos jogadores é muito grande e a qualidade técnica tambem.

Quanto ao ataque, Sanchez e Vargas gostam de penetrar em diagonal no espaço entre o lateral e o zagueiro adversário, de onde fazem muitas jogadas. Valdivia, o falso 9, entra pouco na área e busca espaços na intermediária avançada para dar seus passes açucarados. Vidal e Aranguiz, junto c os alas, chegam de trás dando vigor físico aos ataques chilenos.

Nos próximos posts, avaliarei aprofundamente como cada equipe deveria se portar para explorar melhor os defeitos do adversário e abusar de suas qualidades. Primeiro, farei o Manual de Como Ganhar o Chile para o querido Felipão. Depois, o "Manual de como ganar a Brasil" para Sampaoli. Abraços!



 

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