quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

ANALISE DE REFORCO: LUCAS

LUCAS

Fonte: GloboEsporte.com

Eleito melhor segundo volante da serie C, o volante Lucas foi mais uma contratação feita pelo Vasco para 2015. Criado nas categorias de base do Friburguense, se notou desde la por duas características bem firmes: a forte bola aérea e a qualidade nas finalizações de fora da área. Muito firme na marcação, pode tanto ser utilizado mais contido no meio campo como pode ser mais liberado pra incorporar os ataques. O vídeo abaixo pode resumir bem o que foi falado nesse paragrafo.




Em contra-ataques pelos lados, Lucas tende a aparecer tardiamente no meio, vindo de trás para poder explorar seu recurso do chute de media-longa distancia. Foi assim que fez o gol na goleada de 4 a 0 contra o CRB (vídeo abaixo). Prefere os momentos de posse, já que é um volante que tem boa virada de jogo e tem boa qualidade na desmarcação de apoio. Da constante opção de passe interior pelo lado esquerdo, apoiando o lateral quando pressionado. 




Nas transições defensivas, tende a recompor forte buscando seu posicionamento em frente a defesa. Era o volante pela esquerda da segunda linha de 4 na marcação do Macaé, time que tinha contragolpes rápidos e que com a bola tinha nos volantes os principais acionadores de jogo. Quando roubavam a bola perto dele, sabia retirar bem a bola da zona de pressão, coisa importantíssima para os volantes de hoje em dia.

Volante pela esquerda da segunda linha

Nas bolas paradas ofensivas, sempre traz perigo. Devido a sua grande estatura e qualidade no cabeceio, era o jogador alvo dos escanteios na época de Friburguense. Nas bolas paradas defensivas, ajudou muito o Macaé, onde marcava jogadores altos adversários. Principalmente no bombardeio a área da equipe no empate em 1 a 1 contra o Fortaleza, jogo que consolidou a subida para a serie B. Observe esse vídeo resumo da época dele no Friburguense, e a quantidade infindável de gols de cabeça feitos pelo volante.

Observe também a qualidade do jogador nos momentos em que eh pressionado. A boa virada de jogo também é um grande recurso.

Seu notável defeito era o lapso de concentração em alguns momentos sem bola. Apesar do bom posicionamento, as vezes fazia dobras nos momentos errados. Mas aparentemente é um problema ajustável, já que no Macaé jogava com volantes pela direita com notáveis limitações referenciais (marcavam individualmente e deixavam Lucas com pepino para cobrir muito espaço). Não é dos jogadores mais rápidos, mas sua velocidade não compromete sua função normalmente lhe dada.

No contexto Vasco + Doriva, supondo que o mesmo mantenha suas ideia dos tempos de Ituano e Atlético PR, disputa vaga com Guinazu pelo lado esquerdo no 4-2-3-1 que acelera nos contragolpes. Acionaria rápido o ponta de seu lado e seria referencia para passes pós roubada de bola, passes de recuo e viradas de jogo, devido a qualidade decisional. Junto com os zagueiros, poderia ser ótima arma aérea, dando mais leque as bolas paradas. 

4-2-3-1 de Doriva. Pecas aleatoriamente escolhidas para simples representação. Setas em azul indicando recepções de passe. Setas em amarelo principais linhas de passe


Pode ser o primeiro volante ou então segundo volante pela esquerda no losango (4-3-1-2) ou ate jogar mais solto num 4-2-3-1 assimétrico reativo com Guinazu mais contido e Jean Patrick encostando na dupla de volantes aberto pela direita.

4-2-3-1 assimétrico que varia para o Losango, Lucas seria o homem pela esquerda ou então primeiro volante.

ANALISE DO REFORÇO: BOA CONTRATAÇÃO: VEM PRA DISPUTAR VAGA COM GUINAZU, JEAN PATRICK E SANDRO SILVA. OFERECE BOA OPÇÃO COM SUAS CARACTERÍSTICAS DIFERENTES NO GRUPO


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

DORIVA, A P@#$ É TUA!

Sim rapaziada, voltei a escrever por aqui. Vim por motivos das minhas duas maiores paixões depois da minha família e da minha namorada: FUTEBOL e VASCO!

PARTE 1: O ELENCO E AS NOVIDADES

Pois é, meu Vascão começa 2015 numa completa incógnita. Diversas apostas, um novo elenco depois da vergonha da serie B e um técnico emergente no mercado nacional. Doriva, campeão paulista com o Ituano em 2014 tem uma missão árdua pela frente na tentativa de construir uma identidade, um modelo de jogo com as pecas que terá em mãos.

A lista da pre-temporada saiu hoje (pode vê-la aqui: Elenco da Pre-Temporada) e se fossemos avaliar somente por nomes, o vascaíno esperaria coisa ruim. Mas eu, como belo retardado e pesquisador, fui correr atras para poder imaginar o que pode vir.

Como o nosso amigo Bruno Pivetti diz em seu livro Periodização Tatica: "é impossível conhecer as partes sem conhecer o todo, como conhecer o todo sem conhecer as partes". Para isso, busquei entender o estilo de jogo de cada um dos reforços que o Vasco apresentou dentro dos contextos de suas determinadas equipes. 

Somado isso ao que já conheço dos jogadores que já estavam no elenco, tentarei propor um estilo de jogo que busque "explorar as virtudes e esconder os defeitos" de nossos jogadores, se aproximando das ideias de jogo que pude observar de nosso treinador Doriva, nas estadias no Ituano e no Atlético-PR.

Farei uma serie de posts explicando detalhadamente funções táticas dos reforços primeiramente, depois explicarei o jeito Doriva e depois darei meus pitacos! Começarei nesse post pelo volante Jean Patrick, o primeiro reforço que o Vasco anunciou! Para analisa-lo, vi dois jogos completos da Luverdense na serie B, nas vitorias de 3 x 1 contra a Portuguesa e o Avaí e busquei dados complementares.

JEAN PATRICK

Fonte: O Dia

Nome: Jean Patrick Reis
Naturalidade: São Miguel do Iguaçu/PR
Idade: 22 anos
Pé preferido: Destro
Altura: 172 cm Peso: 72 kg
Posição: Volante/Lateral Direito
Times que já atuou: Grêmio-RS, Mixto, Rondonópolis, Rio Verde, Sorriso, Luverdense

Com passagens na categoria de base do Grêmio, por onde jogou 6 meses emprestado e fez boa Copa BH, Jean Patrick sempre se notabilizou por ser um jogador de boa tomada de decisão e por uma boa valência física. Seu jogo sem bola fica bem notável, já que é um volante que incorpora bem os ataques da equipe, atacando espaços as costas das linhas de meio adversarias. Tem certa dificuldade em se desmarcar para apoiar o jogo curto, tanto que pouco participava da saída de bola da Luverdense, que priorizava chegada rápida da pelota aos homens de frente. Provavelmente opção do técnico, que preferia o jogador abrindo espaços nas defesas com suas incursões.


Jean aos 18 anos no Rondonópolis já mostrando frieza em momentos de alta pressão


Joga preferencialmente pela direita, por ser o lado de seu pé e gosta muito de explorar as suas arrancadas e explosões em distancia curta, com movimentações do meio para fora. Sobrecarrega o lateral esquerdo adversário com esse recurso e pode ser muito bem explorado por Doriva. Combinar essa saída de Jean Patrick para o lado com um meia aberto que centralize para encostar no jogador do centro do provável 4-2-3-1 que o treinador vai montar pode ser uma boa arma.

Os jogadores escolhidos foram meramente ilustrativos. Tomemos como exemplo uma situação como a desenhada. Para potencializar a característica de ataque de espaço de Jean Patrick, ter um homem mais a frente (Marcinho, no caso) que ajude a fixar/atrair rivais para fora dessa região é bem interessante.

Quando a bola esta no lado esquerdo, gosta de entrar na área buscando a marca do pênalti. Com a bola na direita, busca atacar o bico da área em diagonal entrando no espaço entre zagueiro-lateral adversário. Ate por todas essas características, pode jogar na lateral, mas sofre com a pouca qualidade nos cruzamentos. Foi o que mais acertou na Luverdense, mas também o que mais errou, numa proporção negativa muito maior. Não costuma deixar avenidas quando joga nessa outra posição, faz bem o seu papel defensivo.

Créditos: FootStats
HeatMap do jogador no ultimo jogo dele pela serie B. Mesmo atuando de lateral, perceba como ele preferencialmente gosta de atacar o bico da área e como ele tem na metade do campo adversário a sua região "mais quente". Jogador de boa projeção física ofensiva!

Mas se fossemos defini-lo por um dos momentos de jogo, definiria-o como um "volante de transições". Por ter boa explosão e velocidade, incorpora o contra-ataque de maneira absurdamente rápida e chega junto com os homens de frente vindo de trás. Nas transições defensivas, recompõe rápido e sabe retardar o ataque adversário. Tanto que normalmente fica mais atras em bolas paradas para poder desacelerar contra-ataques opostos. No jogo contra a Portuguesa, o segundo gol da Luverdense, marcado por ele, foi de uma transição ofensiva muito rápida da equipe em que ele atacou o espaço preferencial dele de jogo. Podemos ver isso no minuto 1:17 do vídeo abaixo.

Observe algumas das características ditas no artigo nesse vídeo-resumo do jogador. 

Comparando com o Ituano de Doriva, poderia emular bem o que o volante Jackson Caucaia fazia, promovendo variações da estrutura no meio campo (do 4-2-3-1 para o 4-1-4-1). De preferencia, seria melhor coloca-lo ao lado de um volante que buscasse mais atras a bola entre os zagueiros (Guinazu e Lucas, no elenco) para poder projeta-lo mais a frente e abrir espaços com suas movimentações no lado direito.

Escalado a direita dos volantes do 4-2-3-1 do Doriva. Em azul, linhas de interação mais fortes, com quem o jogador tenderia a se relacionar mais em campo. Em amarelo, movimentações ofensivas mais comuns. 

Outras boas opções seriam: usa-lo a direita num losango (4-3-1-2) ou ate aberto num 4-2-3-1 assimétrico de proposta bem reativa:



AVALIAÇÃO DO ANALISTA: BOA APOSTA. O ELENCO NÃO POSSUI ALGO PRÓXIMO DE SUAS CARACTERÍSTICAS E PRECISAVA DE UM JOGADOR ASSIM! TITULAR NA DUPLA DE VOLANTES, O USARIA PELO LADO DIREITO.








quarta-feira, 10 de setembro de 2014

UHH PAPAI VOLTOU! Um novo Vasco ja nesse primeiro jogo de Joel

Apos a goleada sofrida para o Avai por 5 a 0 dentro de casa, o tecnico Adilson Batista, muito contestado pela torcida, entregou o cargo e deixou a equipe dias antes do segundo jogo contra o ABC pela Copa do Brasil. Sem tempo para treinar, Jorge Luiz, auxiliar e interino no momento, tentou montar a colcha de retalhos na qual o Vasco se encontrava e colocou um Vasco num jeito muito parecido com o de Adilson. Derrota por 2 a 1 consumada, eliminacao concretizada.

Quando teve a oportunidade de treinar a equipe e dar um pouco da sua cara, fez um time menos desorganizado na frente, porem com muitos problemas defensivos ainda. Vitoria por 3 a 2 com dois gols de bola parada em cima do America/MG e volta ao G4. Resultado que veio em otima hora, ja que esse seria o ultimo jogo com interino. Joel Santana, o velho Papai Joel, houvera sido anunciado no dia anterior para tentar salvar o time da situacao que estava.

Time contra o Mecao ainda pecava em concentrar muito o jogo no meio e usava pouco os laterais. Equipe acelerava pouco na frente e dependia muito de movimentacao (ainda fraca) dos homens de frente para gerar espacos. Problemas da era Adilson.

O novo treinador somente teve dois dias de treino, um com a equipe titular, e logo no treino da segunda-feira, ele escalou o time com Diogo Silva; Diego Renan, Rodrigo, Douglas Silva e Lorran; Guinazu, Fabricio, John Cley e Douglas; Maxi Rodriguez e Thalles. Uma escalacao que nao surpreendeu nem um pouco, comparado a seu historico como comandante de outras equipes. A predilecao por sistemas com 3 volantes sempre foi uma grande marca do Papai.

Lendo a listagem, o torcedor do Vasco se preocupou. Tanto havia reclamado do uso de Diogo Silva como titular e do sistema de tres volantes tao adotado por Adilson Batista, ele viu o fantasma voltando. So que como mal de todo brasileiro apaixonado por futebol, analisou a equipe pelos nomes e nao esperou nem o time entrar em campo para saber como iria se comportar, quais seriam as ordens, as ideias de Joel, o comportamento da equipe. O treineiro barrou o goleiro, colocando o menino da casa Jordi e mostrou que um dia foi o suficiente para mudar o jeito de atacar da equipe

Antes de avaliar o novo jeito de jogar, avaliemos as circunstancias da partida de estreia. O Vasco jogaria em casa, precisando de resultado para consolidar um bom inicio com o novo treinador, contra um Luverdense desfalcado de seus dois principais jogadores: Misael e Reinaldo. Sabendo disso, os visitantes entraram com um sistema que nao vinha usando normalmente: o 4-5-1. As equipes foram para a partida assim:

Vasco no 4-3-1-2 bem a la Joel e a Luverdense mais contida num 4-1-4-1 de linhas baixissimas

E nao sei se o mesmo torcedor reclamao se surpreendeu tanto quanto eu. Vimos uma equipe procurando jogo, acelerando mais a circulacao de bola na intermediaria adversaria e tornando mais objetivo a troca de passes. Como indiquei em laranja, os laterais eram quem dava a amplitude em todas as fases de ataque (Construcao, Armacao e Concretizacao), tendo suporte com o recuo de Guinazu (veja no espaco amarelo) e com a menos liberdade dada a Fabricio. Muito ofensivos, buscavam apoiar as jogadas sempre muito abertos seja la onde tivesse. Observemos esse frame:

Diego Renan e Lorran abrindo bem o campo no meio campo. Note Guinazu muito proximo na saida de bola, interagindo mais com a linha de zagueiros do que com a dupla de segundos volantes.

Quanto ao ritmo de jogo, foi a mais notavel mudanca feita por Joel. Embora o time ainda sofra com alguns lapsos de atencao quando em conforto, o time construia a saida com a qualidade que o time de Adilson tinha e ganhou o aditivo de ter um jogo mais acelerado na intermediaria avancada. A maior liberdade dada ao trio de frente, que pouco voltava para marcar, fazia com que eles poupassem mais energia para se movimentar e abrir espacos na frente. Ate o Douglas, notavelmente conhecido por ser muito estatico, se mexeu mais para buscar jogo e sair da zona central, onde foi inicialmente posicionado.

Falando em defesa, a equipe se defendia claramente com uma ultima linha de 4 proxima da linha de 3 no meio campo encaixando nos adversarios que as atacavam. Ja os tres homens de frente, como havia-se dito, tinham menos responsabilidades defensivas, com um deles voltando em algumas raras circunstancias para fechar opcoes de passe no meio. Observe:

Defesa claramente postada como falado no paragrafo, com Maxi auxiliando fechando a opcao de passe ao volante por dentro.

Primeiro tempo so deu Vasco. Time nao sofria ataques contra uma Luverdense muito recuada e dominava o campo adversario. Ainda sofria alguns problemas da era Adilson, com falta de objetividade na circulacao e pouca penetracao nas linhas adversarias. Mas apos o primeiro gol, engrenou e controlou a partida. Jordi nao fora testado nenhuma vez.

Pelo lado deles, com a lesao do lateral Michel, eles colocaram o volante Clecio e deslocaram Jean Patrick, improvisado, para a vaga do machucado. Otimo para o Vasco, que explorou e muito essa deficiencia do adversario e passou a investir mais por ali. No fim do primeiro tempo, o treinador vendo esse problema trocou o volante improvisado por outro, Gilson, que era lateral de origem. Apito, vestiario e jogo que parecia bem decidido.

Para o segundo tempo, o Luverdense colocou um atacante, Leo, tentando avancar um pouco as linhas da equipe, muito acuadas no primeiro tempo.  Foi ai que Joel usou da experiencia para instruir o ataque para fazer o correto. Mais velocidade na circulacao e exploracao dos buracos nas tentativas de subida do adversario. O famoso contra-ataque.

Tentativa de avancar linhas foi falha e so expos mais o Luverdense, agora posicionado num 4-4-2 linha. Washington buscava centralizar para tentar cair por tras da dupla de atacantes e armar o jogo, sem eficiencia, anulado pelo cao de guarda Guinazu

O ganho de velocidade nas transicoes foi muito grande. Era notavel o quanto trio de ataque ganhou instrucoes para atacar visando o gol nos momentos de desorganizacao defensiva do adversario, o que nao acontecia com Adilson. O segundo gol foi claro nesse ponto. Diego Renan buscou um Douglas com espaco para pensar, que em um toque sem dominar deixou Maxi em diagonal cara a cara com o gol. 2 a 0.

As poucas tentativas que o Luverdense fazia esbarravam na otima atuacao defensiva do trio de volantes vascainos. Bem posicionados num triangulo compacto, sabiam quando sair para combater, como cobrir essa saida desse componente e segurava um meio campo praticamente sozinhos, com pouquissimo apoio dos homens de frente ali. Guinazu estava notavelmente mais solto para cacar, caracteristica que o Papai gosta em seus medio-defensivos e fez partidaca de novo. Fabricio, mais preso, deu equilibrio ao meio campo que sofria nas transicoes adversarias em seus avancos.

Depois do gol, foram tentativas esporadicas de ataque, algumas ate com perigo, como um lance de Thalles no finalzinho apos um passe de cabeca de Edmilson. Ambos entraram no lugar de Maxi e Kleber, notavelmente cansados pelo ritmo que implantaram. Time mostrou confianca, ajudou a estreia do menino Jordi e deu uma tranquilizada no ambiente em Sao Januario. Precisa de ajustes, mas a evolucao ja foi notoria. A entrada de Pedro Ken no lugar do John Cley parece ser a cereja que falta para encaixar o bom meio montado pelo Papai Joel. E o novo treinador nos deu a esperanca de dias mais tranquilos rumo a Serie A. Rumo ao titulo!













sábado, 5 de julho de 2014

BELGICA - QUERIDINHA DA GERAÇAO PLAYSTATION OU REALIDADE?

Demorou, mas enfim a Belgica fez uma atuação convicente na Copa do Mundo. O time sensação das eliminatórias europeias pegou um Estados Unidos muito bem arrumado por Jurgen Klinsmann e fez o crime: jogou a bola que se esperava dela, com alto volume de jogo, mesmo esbarrando na noite inspirada de Howard. Inicialmente, vieram montados assim:


Avaliando simplesmente as escalações iniciais, já esperaríamos um Estados Unidos mais retraído em busca de contrataques na velocidade de seu trio de frente e uma Belgica partindo para cima propondo jogo e explorando a qualidade de seus homens de frente. Não deu outra. 

HeatMap da Belgica: Footstats.com

Observem como o mapa de calor acima deixa bem claro isso. Uso mais agudo do lado esquerdo, por onde caíam De Bruyne (em boa noite), Hazard e os apoios de Vertonghen. Tanto como Johnson como Yedlin sofreram para combater naquele lado. Muitas vezes fazia-se 3x2 por ali, não a toa sendo a região de maior índice de finalizações, como podemos ver no quadro abaixo, no circulo marcado e no gol, ainda mais abaixo. 


Lance que caracteriza muito bem a movimentação belga ofensiva pelo lado esquerdo. Hazard abriu, atraiu lateral, abriu espaço para a subida de Vertonghen e De Bruyne passou no espaço. Origi aproxima do lado da bola para entrar no primeiro pau e abrir suas costas para que Fellaini ataque esse espaço. O ponta oposto (Mertens) fecha pelo meio para garantir número.

Contra a Argentina a chance de se consagrar como realidade. Explorar os lados, ponto fraco argentino é a mina de ouro pra que o jogo belga flua. Marcar Messi de perto, nao dando espaço nas faixas centrais tambem é importante. Dupla de zaga + Witsel serão de extrema importancia para anula-lo. Tem jogoo!






sexta-feira, 27 de junho de 2014

COMO GANHAR DO CHILE - Manual para o Felipão - parte III

Nessa parte 3, mostrarei como montaria o time do Brasil diante a previsão que espero para a seleção chilena.

"MEU" BRASIL


Após a análise individual de cada jogador, nada mais justo de que traçar ideias de jogo coletivas para eles, já que uma equipe não se encaixa se não tiver táticas que relacionem os seus jogadores. Para que possamos fazer isso, temos que ver quais são os pontos fortes e fracos de cada equipe. Começarei pela nossa:

MODELO DE JOGO BRASILEIRO

Dizem que o entrosamento leva a melhora de uma equipe, e no caso do Brasil isso é bem evidenciado. Já estamos a praticamente 1 ano com a mesma escalação inicial, o que infere em jogadores já conseguirem entender o raciocínio do outro e a ideia do treinador. Começarei analisando o jeito de defender da seleção:

1) MODO DE DEFESA:

a) Na saída de bola do adversário:


Nesse desenho acima, fica mais facil de representar o modo que a seleção gosta de marcar a saída de bola adversária. Quando a bola atinge a intermediária defensiva adversária, os jogadores de frente sobem seu posicionamento e obedecem a regra dos encaixes. Seja lá por onde o adversário esteja saindo, o objetivo é pressionar o portador da bola e, em forma de encaixe individual, cerrar a marcação nos mais próximos, sem se preocupar com guardar posição. Se o jogador adversário se desprende, o jogador encaixado NA DETERMINADA JOGADA vai junto. Esse padrão de comportamento é feito normalmente pelos jogadores de frente, já que a linha defensiva obedece rigorosamente os preceitos de flutuação de uma linha de 4.

Contra Camarões, a equipe conseguiu fazer gols exatamente assim, roubando a bola na intermediária e atacando rápido, vide segundo gol de Neymar e gol de Fernandinho.

b) Quando o adversário passa da pressão:

Nesse momento que o adversário passa da pressão inicial brasileira, os jogadores de frente voltam muito rápido para se fechar em duas linhas, deixando Neymar e Fred a frente; Oscar fecha a esquerda, da seguinte maneira abaixo:

Felipão da liberdade para Neymar se juntar a Fred na frente, preservando o craque e sacrificando Oscar, que fecha o seu teórico lado esquerdo.  Em verde, a representação da rápida recomposição pós superação da pressão e a formação de duas linhas.

2) MODO DE ATAQUE:

a) O ataque rápido: Esse tipo de ataque consiste em roubada de bola e chegada ao gol em poucos toques ou então toques rápidos, como podemos ver no gol de Fernandinho contra Camarões.  Oscar roubou bola, entregou em Fernandinho, que deu no pivô de Fred, devolveu em Oscar, Fernandinho, gol. Tudo isso numa trama de 4 segundos. Brasil gosta desse tipo de jogo, já que assim sufoca o adversário, complica a vida dele e faz gol sem precisar trabalhar muito a bola. Quando tem que se situar no campo adversário, se complica. Brasil se sente bem mais confortável trabalhando em transições.

b) O ataque direto: Como já havia postado anteriormente, uma das jogadas mais comuns é a diagonal longa dos zagueiros ao ponta oposto, buscando as costas do lateral adversário. Isso será de extrema importância contra um Chile de defesa de estatura baixa e que joga avançada. Portanto, não achem que o Brasil está dando chutão por falta de qualidade. É estrategia de jogo!

Fonte: Painel Tático do GE

c) O ataque organizado: Brasil, quando é forçado a entrar nessa fase, se complica. Quando precisa trabalhar a bola demais, relaxa, fica estagnado e erra muitos passes. Definitivamente um time de transições, basta ver como foram os gols até agora. Roubada de bola no meio campo/intermediária avançada, defesa adversária em fase de recomposição e gol.

COMO VOCÊ MONTARIA A EQUIPE???

Após a analise de cada um e do jeito de jogar da seleção Brasileira, temos que montar a equipe e destacar no que devemos ficar atentos:


Primeiramente, vamos ao jogador chave deles. Alexis Sanchez, atacante do Barcelona. Ídolo chileno, está numa fase espetacular e bem diferente do que era. De goleador, passou a garçom da equipe, sendo que nos ultimos 5 jogos, deu 7 assistencias a gol. Tudo na mesma área que demarquei em volta dele no quadro. Ele atrai o zagueiro adversário, recua até o espaço demarcado, faz o giro muito rápido e lança no jogador que entra naquele espaço, seja Aranguiz, Vidal, Vargas. É jogada manjada e há de se ficar de olho. Além disso, gosta muito de tramar jogadas com Isla por ali, sendo o lado direito da equipe o mais forte. David Luiz tem que chegar junto e saber muito bem a hora de sair da linha defensiva, pois pode ser armadilha.

Outro jogador a se observar é Eduardo Vargas. O ex-jogador do Gremio muitas vezes some do jogo, mas quando aparece é fatal. Gosta muito de explorar as costas dos volantes e o espaço entre o zagueiro e o lateral direito da equipe. Faz o facão em diagonal e Sanchez o deixa na cara do gol. Veja esse lance abaixo:

Vargas, mais avançado a esquerda, entra em diagonal e recebe o passe açucarado de Sanchez. Quase sai o gol chileno! Maicon, Thiago Silva e Luis Gustavo tem que ficar de olho nessa movimentaçao.

Além da dupla de ataque, a dupla de volantes é de extrema qualidade física e técnica. Chegam com muita força a área adversária e aparecem de frente para o gol, aproveitando o espaço que o centroavante deveria ocupar. Aranguiz cai mais pelos lados, tabela com Valdivia e entra pelo bico da area. Vidal é mais fisico e aparece de tras para cabecear, alem do potente chute que possui. Luis Gustavo, Oscar, Fernandinho e Ramires terão de ter muita atenção com as chegadas desses dois de trás, que quando chegam sao fatais. A vitória pessoal contra eles será fatal para o domínio do meio campo.

Quanto aos laterais, gostam muito de apoiar. Isla e Mena chegam muito na frente, dando amplitude a equipe. Marcelo principalmente tem de ficar de olho, pois a movimentaçao de Sanchez atrai os LE's para fora da posição e Isla sabe exatamente o timing de explorar isso. Como Diaz fica mais preso, lançam-se juntos ao ataque. Contra-ataques nas costas deles pode ser uma boa solução. Bolas diretas para disputar no aéreo com eles tambem é interessante, por serem baixos, desde que no momento certo.

Gostaria de reservar um parágrafo especial aos dois que qualificam a posse chilena. Diaz e Valdivia. O primeiro organiza o jogo desde trás, faz o jogo fluir e é o maestro da metade defensiva chilena. Tem uma tomada de decisão muito boa e um lançamento longo de muita qualidade. Se não for marcado em cima, o jogo deles fluirá com muita facilidade. Já o segundo os brasileiros conhecem e bem. Se deixar livre, ele bota quem ele quiser na cara do gol. Tem um último passe diferenciado, principalmente no espaço entre zagueiros e laterais adversários. Se movimenta, sai da sua posição e busca jogo sempre quando pode!

O PONTO FRACO DELES


A dupla de zaga chilena Medel e Jara é firme no combate, mas sofre nas bolas aéreas e peca muitas vezes em posicionamento. A opção de Sampaoli se dá pelo fato de que ele prioriza zagueiros que saibam trabalhar bem com a bola no pé, nem que tenha que improvisar outros jogadores para tal (Medel é volante de origem). Dos tres gols que Chile tomou na copa, dois foram de bola aérea. É o ponto fraco claro da defesa chilena. Trabalhar a bola parada será de extrema importancia, pois é uma boa mina de ouro para fazer gols.

Além disso, pressiona-los bem firme na saida é interessante. Por saberem manejar a pelota, deixa-los livre é dar campo para a Roja e pedir para ser dominado. No jogo de novembro, fizemos o primeiro gol assim. Pressionando Gonzalez, erro de passe, dois toques, gol de Hulk. 

QUANTO AS ESCOLHAS DO QUADRO....

Percebam que eu faria várias mudanças, mas não mudaria o jeito de jogar. Exigiria mais intensidade, gás, coisa que sobrou na Copa das Confederações e faltou nessa primeira fase. A marcação tem que ser firme, o sufoco na intermediaria adversaria e a vontade tem de estar presente sempre.

Para ganhar mais intensidade, tiraria os jogadores que estão mais dispersos da equipe e colocaria outros que, saindo do banco, se mostraram bem mais ligados. Na lateral direita, Maicon é mais firme, forte, melhor desfensivamente e mais ligado que Daniel Alves. No meio Fernandinho seria melhor opção que Paulinho, que anda muito preso e se escondendo muito do jogo tanto defensivamente como ofensivamente, além de ser mais forte fisicamente pro combate contra Vidal. Entraria com Ramires no lugar de Hulk para dar velocidade aos contra-ataques, mais liberdade a Neymar e mais número no meio, que precisará ser disputado na unha contra os chilenos. 

Neymar tem que buscar jogo mesmo, mostrar que é o protagonista e ganhar no 1 x 1 seus adversários. Medel se estressa fácil, jogar em cima dele é bem interessante. Oscar tem que manter o pique no ataque que ele tem na defesa. Tem qualidade e pode fazer mais! Colocaria Jo no lugar de Fred, pois participa mais do jogo, se movimenta mais, faz melhor o pivo e é melhor nas bolas aéreas contra a fraca defesa chilena

Enfim, depois de escrever muito, pude resumir como eu entraria pro jogo contra os chilenos. Felipão, da uma lida aí que esse dossiê tá para lá de completo! Disfrutem a leitura. Comentarios sao sempre bem vindos!











quinta-feira, 26 de junho de 2014

COMO GANHAR DO CHILE - Manual para o Felipão - parte 2

Nessa parte 2 da minisérie, farei uma análise de cada jogador da seleção, segundo sua função que vem cumprindo/deveria cumprir e segundo o sistema de Felipão.


ANÁLISE DOS JOGADORES BRASILEIROS



1) Julio Cesar: Goleiro que, apesar de toda a desconfiança da torcida, vem fazendo tua parte. Tem certa dificuldade em chutes de longa distancia do adversário.

2) Daniel Alves e Marcelo: Laterais de ímpeto ofensivo, tem nos avanços, tanto a linha de fundo, como em diagonal, o seu forte. O segundo vem fazendo uma Copa bem segura, participando bem das tramas ofensivas e não dando espaços as suas costas, fazendo todos os fundamentos táticos de lateral de maneira bem correta (basculação, gerando amplitude, etc). Já o jogador do time catalão vem fazendo uma Copa bem abaixo do esperado. Erros constantes de passe, subidas de pressão na hora errada (como no gol da Croácia) e decisões táticas equivocadas vem marcando o torneio de Dani. Maicon seria uma opção melhor para o corredor, devido a experiencia e a melhor tomada de decisões.


3) David Luiz e Thiago Silva: Dupla de zaga muito segura, firme e pelo visto bem entrosada. Jogam em cobertura, saem corretamente para cobrir espaços fora de tua região original (em combate nas zonas do lateral e do volante) e dominam as bolas aéreas. Além de manejarem a pelota no pé bem na saída de bola, ambos tem o recurso de lançarem muito bem bolas longas. Contra o Camarões por exemplo, foram orientados a usarem e abusarem disso, já que os africanos jogavam em linha alta. Pode ser interessante contra o Chile, que joga em linha alta e tem zagueiros baixos.

No quadro acima, esquematizei os lançamentos longos (que não são chutões) da dupla de zaga, o chamado "Ataque Direto". O mais utilizado é a diagonal longa, em que o zagueiro busca o ponta do lado oposto, lançando no espaço entre o lateral e o zagueiro adversário, esse preso pelo pivô de Fred (em vermelho).  A utilização desse recurso contra times de linha defensiva alta, como Camarões e Chile, é uma ótima estratégia, só que para dar certo, precisa que os receptores tenham boa percepção de jogo de costas (o que falta a nossos pontas) e boa matada de bola.

4) Luiz Gustavo: Gostaria de reservar um parágrafo só para ele. UM ACHADO DO FELIPÃO. Primeiro volante de qualidade ímpar. Desce entre os zagueiros para fazer a saída de bola ficar mais fácil (veja abaixo), tem ótima noção de decisão sob pressão adversária, faz a cobertura dos laterais de maneira bem correta (inclusive, limpando e muito a barra de Dani Alves com os espaços que vem deixando) e sabe quando sair de sua posição para realizar a contenção do ataque adversário numa zona fora de seu espaço.

Esquematização da saída de bola brasileira: zagueiros abrem ao lado, Luis Gustavo aprofunda seu posicionamento e se torna o eixo das ações e laterais sobem. Quando não se usa do jogo direto dos zagueiros, Oscar/Neymar buscam atrás o jogo e logo acionam o jogador aberto (lateral/ponta)

5) Paulinho: Peça chave na Copa das Confederações, tinha em seu forte o vigor físico, a explosão de subida e a capacidade de romper as linhas desde trás com suas arrancadas. Chegava muito na área, dando opções a bola aérea brasileira. Quando podia, gerava opção pelo meio para os laterais para facilitar fluidez do jogo. Só que está longe de estar cumprindo bem essas funções. Não fez boa temporada no Tottenham e entra muito disperso no jogo. Pouco aparece dando oferta de passe e parece meio perdido em saber quando participar do jogo com a linha de 3 a frente e quando dobrar na contenção com Luis Gustavo. Fernandinho vem em melhor fase, tem mais equilibrio no movimento de sobe-desce, tem características complementares a de Luis Gustavo e Oscar e me parece ser melhor opção no momento.

6) Oscar e Neymar: Numa colmeia, seriam respectivamente a abelha operária e a rainha. Mesmo com a notável dispersão de Oscar em muitos momentos do jogo, quando ele está ligado o time flui. Além de alta qualidade técnica, é versátil (rendeu muito de ponta direita contra a Croácia), circula na linha de 3, busca jogo no pé de Luis Gustavo e ajuda a dobrar no lado, dificultando a vida dos laterais. Defensivamente, contribui e muito para o projeto de recuperação da pelota na intermediária adversária. Muda de atitude ( sai da mentalidade de atacar para defender) muito rápido, pressiona volantes adversários, volta alinhando com Paulinho e faz número no meio. Já Neymar preciso de poucas palavras para defini-lo: craque do time, circula em todo o campo, roda com Oscar na esquerda, acha os espaços com facilidade e, posicionado mais centralizado, consegue estar sendo mais vertical em direçao ao gol, não a toa, é o artilheiro do campeonato.

Nesse quadro, mostrei o quanto Neymar é o centro das ações na seleção Brasileira. Tem liberdade para buscar a bola atrás,  circula na intermediária adversária e parte pelo meio arrancando e rompendo linhas adversárias.  Se sente mais confortável vindo em diagonal da esquerda e trocando de posição com Oscar, que também gosta de buscar jogo atrás. Essa movimentação confunde adversários e dá fluidez às jogadas.

7) Hulk: Força, explosão e finalização. Esse é o resumo do futebol de Hulk, que, isolado em uma ponta, vejo que contribui pouco pro que pode fazer. Mesmo entrando em diagonal e dando opções interiores, fica muito forçado a buscar a linha de fundo, seja lá pelo lado que esteja, onde cria pouco. Se fosse encorajado a buscar posições mais centrais, poderia ajudar muito mais, encostando em Fred e trabalhando de frente para o gol. Em má fase, não o colocaria nesse jogo contra o Chile. Creio que Ramires viesse a contribuir mais, agregando número ao meio campo e aumentando velocidade ás reações brasileiras.

8) Fred: Centroavante nato, se posiciona muito bem, mas está em pessima fase. Nulo em campo, não vem acertando pivos, anda perdendo todas as bolas no alto e errando muitos passes, além de não estar fazendo gol. Contribui defensivamente preenchendo espaços, mas falta intensidade. Tem fato de gol, mas Jô seria melhor opção, já que ganha mais no alto, aparece mais pra jogo e abre espaços com movimentações. Time fica mais fluido com ele.

9) Reservas: Citarei os mais utilizados. Maicon tem mais explosão física que Dani Alves e mais obediencia tática. Fernandinho, já citado, tem melhor balanço nas subidas e está em boa fase. Hernanes retem mais a bola, faz o jogo girar e dá mais opções centrais. Willian tem muita qualidade técnica, gosta de buscar a diagonal, de colar a bola no pé e explorar os espaços dados pelos volantes adversários. Bernard alarga o campo, busca a linha de fundo e dá mais velocidade e intensidade a pressão na saída. Boas opções que podem dar um maior leque a Felipão.

Ainda hoje, postarei como eu montaria a seleção e como faria para anular as forças chilenas, explorar os defeitos deles e esconder nossos defeitos. Boa leitura!






quarta-feira, 25 de junho de 2014

COMO GANHAR DO CHILE - Manual para o Felipão (PARTE I)

Há um tempo atrás, um certo cidadão vulgo eu resolveu começar a escrever uma série de postagens dissecando a seleção chilena de Sampaoli. E o destino foi engraçado, já que posicionou essa equipe frente a frente com a nossa seleção. Nesse post, mostrarei que pontos fracos o técnico brasileiro deve explorar nos andinos e que pontos fortes ele deve anular. Disfrutem da leitura!

COMO GANHAR DO CHILE - MANUAL PARA FELIPÃO

PARTE 1: OS TIMES

Para poder elaborar uma estratégia, antes de tudo deve-se conhecer quem você é, para depois conhecer quem se está enfrentando. Abaixo, um breve resumo de como são cada uma das seleções que se enfrentarão.

BRASIL

Felipão preferiu manter o time campeão da Copa das Confederações, que foi soberano contra a toda poderosa Espanha. Normalmente, quando se estabelece uma base, vê-se como algo positivo, entrosamento, time unido, etc. Só que não para esse caso. Faltou senso ao perceber que apesar de tudo, o momento do jogador é algo de extrema importância. E isso foi negativo para muitas peças chaves do sistema, representado abaixo:


Com um 4-2-3-1/4-1-4-1 dependendo do posicionamento de Paulinho, combate na intermediária avançada, encaixes por setor e muito volume de jogo, Brasil terminou 2013/2014 como maior força entre as seleções no momento. O então momento dos jogadores facilitava a fluidez desse modelo de jogo. 

Só que a temporada não foi muito boa para muitas dessas peças: Paulinho não foi nem sombra no Tottenham o que era no Corinthians, Oscar muitas vezes banco no Chelsea, Dani Alves em franca queda, Marcelo convivendo com lesões. Isso fez com que o time perdesse a principal característica que o levou ao titulo do ano passado:  a intensidade. Podemos perceber um time muito mais preso nos amistosos e nesse inicio de Copa. Pouca movimentação, muitos erros de passes e dependência grande do craque Neymar. Além disso, notou-se um claro abuso nas ligações diretas dos zagueiros aos pontas. Sabe-se que esse é um ponto forte da nossa dupla de defesa (o lançamento), só que nossos atacantes não tem na recepção de bola aérea o seu forte.

Em compensação, ganhamos na imprevisibilidade da movimentação de Neymar. Com o posicionamento mais centralizado, por opção de Felipão (ou então Parreira?), ele tem mais liberdade para aparecer e protagonizar no time. Ideia boa, se tivéssemos alguém para fazer aquela função na esquerda como ele vinha fazendo. Bernard poderia ser esse nome, mas foi outro que não fez boa temporada.


Com as mudanças na última partida, a entrada de Fernandinho do lugar no inoperante Paulinho e Ramires, bem mais ativo que Hulk, talvez consigamos nos aproximar da intensidade que tivemos ano passado. A saída de Daniel Alves do time titular, muito mal nessa Copa, é essencial. Nao contribui na frente e atrapalha atrás.

CHILE

A equipe do argentino Jorge Sampaoli teve um rumo muito parecido com a Brasileira. Um 2013 sensacional, auge de seus jogadores e do entrosamento da equipe. Só que lesões e más fases atrapalharam e muito o fã de Bielsa. Vidal, o craque, passou por uma artroscopia. Valdivia, o pensador, não engatou. Vargas, inconsistente no Valencia. Em compensação o craque Sanchez melhorou e muito, e no Barcelona, fez grande temporada. E o time, como vem?


Num 3-1-4-2 de estilo claro, firme e fiel a ideia de Bielsa, Sampaoli exige de seus jogadores que exerçam pressão em todos os setores do campo, intensidade além do normal, gosta da bola e ataque a qualquer custo. A diferença de Sampaoli para seu antecessor é que o time atual sabe reter mais a posse do que o anterior, que era mais direto. Diaz, Valdivia e Sanchez contribuem e muito para que a bola circule limpa pelos dois lados. Os zagueiros sabem sair jogando e se sentem confortaveis quando recebem a pressão. O goleiro Bravo, sabe jogar com os pés e tem ótima visão de jogo, não a toa foi contratado pelo Barcelona.

Gosta de variar sua formação, usa muito o 4-4-2 losango tambem quando usa Valdivia e no abafa, coloca um centroavante e abre os dois do ataque. A versatilidade dos jogadores é muito grande e a qualidade técnica tambem.

Quanto ao ataque, Sanchez e Vargas gostam de penetrar em diagonal no espaço entre o lateral e o zagueiro adversário, de onde fazem muitas jogadas. Valdivia, o falso 9, entra pouco na área e busca espaços na intermediária avançada para dar seus passes açucarados. Vidal e Aranguiz, junto c os alas, chegam de trás dando vigor físico aos ataques chilenos.

Nos próximos posts, avaliarei aprofundamente como cada equipe deveria se portar para explorar melhor os defeitos do adversário e abusar de suas qualidades. Primeiro, farei o Manual de Como Ganhar o Chile para o querido Felipão. Depois, o "Manual de como ganar a Brasil" para Sampaoli. Abraços!